‘O ser humano está à procura de um lugar tranquilo dentro dele mesmo’, diz Tetê Espíndola

Fabiano Alcântara

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Atualizado em 6/09/2017

Tetê Espíndola pela filha Patricia Black

Patricia Black Tetê Espíndola pela filha Patricia Black

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A importância de Tetê Espíndola na música brasileira “estava escrito nas estrelas”. Ela, que lança Outro Lugar, seu 18º disco de carreira com 12 músicas inéditas, é rainha de uma dinastia.

O disco tem composições de Tetê com parceiros especiais e de longa data, como Marta Catunda, Bené Fonteles, Arrigo Barnabé, Geraldo Espíndola, Philippe Kadosch, Luisa Gimenez, o imortal Manoel de Barros (em poema musicado pela cantora) e Arnaldo Black, autor da música título.

A direção musical é de Sandro Moreno, Adriano Maggo e Tetê, ambos parceiros de estrada. Produzido pela LuzAzul, o disco foi gravado em Campo Grande (MS), sua terra natal, em São Paulo e finalizado em Paris, com o francês Philippe Kadosch.

A capa traz um clique da filha, a cineasta Patricia Black, em ensaio fotográfico feito com intimidade de almas. O conceito e a direção de arte também são de Patrícia ao lado do designer Uibirá Barelli.

Nós trocamos uma ideia com a icônica cantora, “sol de uma noite sem fim”:

Da onde vem sua música?
Tetê Espíndola – ​Minha música ​vem de um rio atemporal de influências sonoras, de uma convivência gostosa com a minha “craviola” e com a minha família musical Espíndola Black, desde sempre.

A que se refere o Outro Lugar que dá nome ao disco, você considera tê-lo encontrado?​
Tetê - Essa música Arnaldo Black fez pra mim no violão e quando eu a toquei na craviola me emocionei como se fosse eu que a tivesse feito, pois fala tudo que eu sinto. O ser humano está à procura de um lugar tranquilo silencioso dentro dele mesmo e achá-lo é a nossa meta. ​ ​

O que está acontecendo de mais novo na música brasileira hoje?
Tetê - ​Essa geração​ ​do meu filho Dani Black está inquieta e “jorra” talento. Além dele, vejo Maria Gadu, os meninos do grupo 5 a Seco, Raul Misturada, Mariana Aydar​ e muitos outros. Também gosto muito das meninas da geração anterior do grupo Dona Zica, como Anelis Assumpção e Iara Rennó.

A música brasileira perdeu a relevância internacional que tinha até os anos 80? A que isso se deve?
Tetê - Acredito que não, a boa música MPB está em forma e se apresentando muito lá fora.

Que artistas da nova cena mais gosta e indica? ​
Tetê - Além dessa nova geração que falei, gosto muito de ver os shows de Ney Matogrosso, Zélia Duncan e Alzira E​,

Você tem rituais para compor?
Tetê - Tenho mania de ir gravando “embriões melódicos ” que vou escutando do canto dos pássaros no dia à dia, pois procuro sempre afinar o meu ouvido com os sons da natureza​

Que dica daria a um iniciante?
Tetê - ​Faça a música ser um refúgio na sua vida​, ​pra quando você quiser, ela poder te levar pra um “outro lugar”.

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