‘Público se renova pela própria natureza’, diz Pato Fu, que lança Música de Brinquedo 2

Fabiano Alcântara

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Atualizado em 12/09/2017

Pato Fu

Dudi Polonis/Divulgação Pato Fu

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Nem toda música de brinquedo é para criança. O Patu Fu sabe disso e em seu retorno ao projeto em Música de Brinquedo 2 traz uma série de sons da pesada como Severina Xique-Xique, clássico de Genival Lacerda; I Saw You Saying, dos Raimundos,; Datemi Un Martelo (Rita Pavone); Livin La Vida Loca (Ricky Martin).

Outras canções que visitam o inglês são Private Idaho (The B 52’s) e Every Breath You Take (The Police), que soam como uma declaração de amor aos anos 80, maior fonte de inspiração da banda.

No setor “nacional”, Kid Cavaquinho, conhecida na voz de Maria Alcina, Gilberto Gil é lembrado em Palco, Mamãe Natureza, (Rita Lee) traz a única participação de Nina Takai e Mariana Devin, cantoras mirins originais do primeiro Música de Brinquedo. “Foi gravada há mais tempo, e desde então suas vozes já mudaram – perderam o posto para a nova geração!”, afirma texto de divulgação do álbum.

“A participação especial de crianças nos vocais dessa vez ficou a cargo de novíssimos fãs, a maioria deles filhos dos primeiros membros de fãs-clubes do Pato Fu, além de sobrinha e filhotinhos da última ninhada, convidados pela banda a conhecer o estúdio e soltar a voz com o máximo de espontaneidade possível”, completa.

Rock da Cachorra de Eduardo Dussek põe a criançada para latir e Não Se Vá (Jane e Herondy), versão em português de Thina – que fez muito sucesso em meados da década de 70.

O Pato Fu continua sendo formado pelo núcleo original Fernanda Takai, John Ulhoa e Ricardo Koctus. Glauco Mendes (bateria) e Richard Neves (teclados) completam o time, que gravou esse disco mais uma vez no estúdio próprio, o 128 Japs, com a produção do John. Nós trocamos uma ideia com o John, leia a seguir:

Por que quiseram voltar ao projeto?
John Ulhoa - O primeiro CD foi lançado há sete anos e quase que instantaneamente já recebíamos pedidos para um segundo volume. No entanto, o que fizemos foi a turnê desse disco e ela parece ser infinita, sempre tem gente querendo conhecer ou rever esse show. Acho que as crianças vão nascendo, e o público se renova pela própria natureza! Mas agora sentimos a necessidade de remontar o repertório, dar um novo ar à turnê, apresentar novas músicas. Nesse meio tempo outros instrumentos de brinquedo foram sendo incorporados e ideias pra músicas foram aparecendo. Não é bom guardar ideias por muito tempo, então cá está o Música de Brinquedo 2.

Como resolvem a equação de agradar as crianças e ao mesmo tempo não fazer uma música rasa e repetitiva?
John - Acho que essa equação só existe nos lares onde os pais também só ouvem música rasa e repetitiva. Nem é necessário fazer música infantil para que as crianças gostem de música de qualidade – o repertório do Música de Brinquedo é adulto, é direcionado aos pais, é o coração deles que queremos tocar em primeiro lugar. Só a sonoridade que é infantil. É uma alternativa pros pais apresentarem aos filhos músicas de várias épocas, em várias línguas, em vários estilos.

As criança entendem a loucura melhor que os adultos?
John - Elas entendem em outra camada. Curtem os barulhinhos, o corinho das crianças, a movimentação dos monstros no show… Os adultos se apegam na execução musical, nos arranjos renovados e bizarros, mas com algo nostálgico. E gostam de ver o efeito que isso causa nos pequenos.

Vocês já venderam muito disco, inclusive brincaram com isso no título do Tem Mas Acabou (RCA, 96), o que consideram fazer sucesso hoje?
John -  Viver de música. Cada vez mais difícil, especialmente para artistas novos. As formas de remuneração se diluíram, está todo mundo lutando pra sobreviver meio no improviso. Então pra mim a medida do que seria “sucesso” é conseguir viver decentemente de música autoral ou de projetos especiais como o Música de Brinquedo.

Que artistas novos mais gostam e indicam?
John -  Muita coisa boa. A maioria correndo por fora pois o chamado “mainstream” está completamente estrangulado por pouquíssimas opções estilísticas. Meus favoritos dos últimos tempos são a banda potiguar Far From Alaska e o Baiana System.

Que dica dariam para um iniciante?
John –  Divirta-se com a música, emocione-se com a música, batalhe para que ela ocupe o lugar que você acha que ela merece na sua vida. Mas seja bonzinho com ela, não fique bravo se ela te disser que quer te ver só aos fins de semana.

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