Desenvolvimento de vinho é comparado a Oreo e Doritos

Divulgação Desenvolvimento de vinho é comparado a Oreo e Doritos

A jornalista Bianca Bosker levou um ano e meio para se tornar uma sommelier e escrever Cork Dork, livro publicado no mês passado pela Penguin Books, dos Estados Unidos, que mostra como os avanços no engarrafamento, fermentação e teste de sabor estão democratizando a bebida.

Ela diz que a maioria das pessoas não entende quanta química vai em um produto que é supostamente apenas uvas e levedura. Parte da razão é que, ao contrário de alimentos e medicamentos, bebidas alcoólicas nos EUA não são controlados pela Food and Drug Administration. Isso significa que os vinicultores não são obrigados a revelar exatamente o que está em cada garrafa, tudo o que eles têm para revelar é o teor de álcool e se o vinho tem sulfitos e certos aditivos alimentares que causam coloração.

Em Cork Dork, Bianca mergulha no mundo do vinho e entrevista os enólogos e cientistas.  “As pessoas estão desenvolvendo o vinho da mesma maneira que os cientistas de sabores desenvolvem o novo sabor de Oreo ou Doritos”, compara.

O livro revela que o processo de desenvolvimento de um mercado de massa começa em uma espécie de “laboratório de percepções sensoriais”. Lá, grupos de provadores profissionais fazem um teste cego de uma variedade de produtos. As amostras de consumidores médios ajudam os vinicultores a terem uma ideia de quais “perfis sensoriais” seriam melhores em lojas e restaurantes, sejam “vinhos purpúreos com aromas de amora ou vinhos de baixo teor alcoólico em uma cor rosa”, escreve ela.

“A partir destas preferências de base, os enólogos assumem o papel de cientista, adicionando uma pitada de acidez ou um toque de vermelho para alinhar seus vinhos ao gosto dos consumidores. Os produtores de vinhos dos Estados Unidos podem usar uma lista de mais de 60 aditivos aprovados pelo governo que pode ser usado para ajustar tudo, desde a cor até a acidez até mesmo espessura”, afirmou a Smithsonian Mag.

“Em seguida, os vinhos podem ser produzidos em massa em enormes cubas de aço, que possuem centenas de litros e muitas vezes são infundidos com chips de carvalho para dar o sabor de barris de carvalho verdadeiros. Cada passo deste processo de fermentação é monitorado de perto e pode ser alterado pela alteração da temperatura ou pela adição de mais nutrientes para a levedura. Eventualmente, o vinho é embalado em enormes linhas de montagem, produzindo milhares de garrafas que vão ser levadas para os supermercados e podem custar tão pouco quanto água engarrafada”, completou a publicação.

“Essa ideia de amassar uvas com a ajuda da ciência não é nova”, ressalta a jornalista. “Os romanos, por exemplo, adicionaram chumbo ao seu vinho para torná-lo mais espesso. Na Idade Média, enólogos começaram a adicionar enxofre para tornar os vinhos frescos por mais tempo”, exemplifica a revista. Um brinde aos vinhos, sejam eles caros ou baratos.

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