Lima era o dono da Estação Ópera Antiguidades, famosa pelo nome Rei das Bengalas e inaugurada em 95, um tempo, segundo seu Zé, em que crescia o interesse por bengalas. “Ajudei a abrir, gerenciei e fechei a loja quatro anos mais tarde. Além do endereço fixo, costumava expor com Lima nas feiras da (Benedito) Calixto, Masp, no Morumbi e Iguatemi”, lembra o restaurador.

O ofício surgiu tímido, com pequenos concertos “escondidos” de peças do antiquário. “Ele (Lima) levava as bengalas para o pessoal de fora fazer, mas, quando vinha, eu achava que podia ficar melhor. Então, quando quebrava alguma coisa na loja, eu ia lá e arrumava”, conta.

A facilidade só cresceu, mas não por pensar em ganhar dinheiro com isso. Para ele, não há nada no mundo que pague a felicidade de seus clientes em ver suas bengalas, seja de uso ou coleção, em bom estado. “Nossa! Pra mim, a melhor coisa é quando alguém chega e diz: ‘Zé, vocês está de parabéns. Muito bom o seu trabalho”.

O processo

Com o passar dos anos, seu trabalho ficou conhecido e caiu no gosto dos colecionadores. Hoje, por mês, chega a receber lotes de mais de 30 bengalas. Já forneceu seus trabalhos para novelas da redes Globo e Bandeirantes. Por dia, quando a restauração é, Zé chega a ‘revitalizar’ 20 objetos.

O valor dos seus serviços é variado. O preço médio de restauração chega a valer 20% da cotação original da peça. Mas, “para ser camarada”, costuma fazer preços mais em conta. Cobra de 5 a 60, 70 reais por uma restauração.

Os olhos do restaurador brilham quando fala dessa exótica profissão. Diz trabalhar sempre com alegria e faz questão de escutar música enquanto esculpe as peças. O amor pela atividade é tão grande que ele não permite nem que a esposa, a filha Fabiana de 18 anos ou o filho Lucas de 8, se metam em seu ateliê. Apenas se dirige a mulher e a “Fᔠcomo críticas de arte e filosofa: “Diria que o olho feminino é perfeito. A mulher enxerga coisas que o homem não enxerga”.

Para o futuro, seu Zé quer montar um catálogo de arte com peças próprias. Aproveita para fazer uma crítica à realidade da arte hoje. “Quero fazer algo diferente, que inove, mas que seja artesanal e não essa coisa industrial e sem qualidade que vemos hoje.”

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