Aranha foi vaiado em Porto Alegre

TV Globo/Reprodução Aranha foi vaiado em Porto Alegre

O goleiro Aranha foi vítima de um emblemático caso de racismo em 2014, quando ainda defendia o Santos, durante uma partida contra o Grêmio em Porto Alegre.

Na ocasião, grande parte da torcida gremista fazia sons de macaco quando o jogador pegava na bola. Uma torcedora, de nome Patrícia Moreira, foi flagrada pelas câmeras da ESPN ofendendo o arqueiro por sua cor.

Neste domingo (16), Aranha voltou ao Rio Grande do Sul, na mesma Arena do Grêmio, e não chegou a ouvir os mesmos xingamentos, mas foi vaiado de forma diferenciada pelos tricolores toda vez que estava com a bola em sua posse.

Pressionado por um repórter da Globo gaúcha, ele desabafou. “Eles não esquecem aquele episódio. Eles são assim aqui. Principalmente na região do Sul do país, é sempre assim. Quando volto aqui, evito ao máximo olhar para a arquibancada, porque cada vez que olho para arquibancada, vejo ódio na cara das pessoas. Eles têm certeza que eu estou errado. É triste ver o conceito de vida que eles têm aqui”, reclamou.

Admitindo que há exceções, ele seguiu as críticas: “lógico que sempre tem as exceções, mas é triste o conceito que eles têm aqui. A mudança vem das crianças, mas se o pai passa isso para o filho, quando vai melhorar? Nunca! Venho aqui preocupado em jogar, não tenho nada contra o Grêmio. Mas a falta de educação é geral. Às vezes reclamamos do político, mas sempre dá o jeitinho brasileiro, que era engraçado antes. Esse jeitinho está tomando conta do país.”

Houve, porém, um homem que levou, junto ao seu filho, um cartaz pedindo desculpas a Aranha e dizendo que eles representavam a “verdadeira torcida do Grêmio.”

Homem levou cartaz para Aranha

Twitter/Reprodução Homem levou cartaz para Aranha

Vale lembrar, porém, que racismo é crime.

A injúria racial está prevista no artigo 140, parágrafo 3º, do Código Penal, que estabelece a pena de reclusão de um a três anos e multa, além da pena correspondente à violência, para quem cometê-la. De acordo com o dispositivo, injuriar seria ofender a dignidade ou o decoro utilizando elementos de raça, cor, etnia, religião, origem ou condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. Ninguém foi detido pelo caso de 2014.

Racismo no esporte

Alvo de racismo, Aranha é vaiado por torcida do Grêmio: "ódio na cara das pessoas"

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