(Por Gabriela Rassy) – O jornalista Caco Barcellos realizou ontem uma palestra sobre “Sociedade organizada e violência”. O evento foi uma iniciativa do Centro Acadêmico de Ensino Superior (Caes) em parceria com a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB).

Barcellos falou sobre a violência praticada pela sociedade organizada, não pelos criminosos, e pela participação da polícia e da mídia em acobertar os crimes da população “de bem” e sempre culpar e perseguir os pobres.

Ele usou como exemplo a guerra dos EUA contra o Iraque, onde 3.200 soldados americanos morreram e, segundo estatísticas de uma entidade britânica, os iraquianos mortos já somam 130 mil. “No Brasil morrem 50 mil pessoas por ano. Desde o começo da guerra, em 2003 até hoje, nós matamos 250 mil brasileiros. A pior guerra do mundo hoje matou metade do que matamos”, disse Caco.

Brasileiros que matam brasileiros, sem questionamento da sociedade, foram o foco central da palestra do jornalista. “O Reino Unido fez riqueza matando pessoas de outros povos. Nós nem isso fazemos. Não temos inimigos declarados, não fazemos riqueza. Matamos por motivos fúteis, trabalhadores de bem que matam por que o time perdeu, por que foram fechados no trânsito”, disse.

Em outro momento, Caco abordou temas usados em seus dois livros Rota 66 e Abusado. Expôs levantamentos usados como base em seus livros-reportagem para falar das mortes causadas pela sociedades. “A polícia diz que assaltantes matam por dinheiro. Eles causam 5% das mortes, não mais do que isso em qualquer cidade. A PM do Rio causa 18%. O resto é a sociedade organizada quem causa”, explicou.

Segundo Caco, os países que têm pena de morte matam menos que o Rio de Janeiro. “O Rio matou sozinho mais do que o mundo todo matou com a pena de morte autorizada. Isso por ordem de meia dúzia de coronéis”, disse.

Tropa de Elite

A admiração das pessoas pelo protagonista do filme Tropa de Elite e pelo Bope são um fato que Caco considera triste. “O filme tropa de elite foi um sucesso, e as pessoas viram um herói no capitão Nascimento. Triste o país que escolhe como herói um matador”, comentou.

Sobre a Tropa de Elite de São Paulo, a Rota, criada nos anos 70 para combates a guerrilha armada da cidade, Barcellos afirma que mataram mais negros pobres do que bandidos efetivamente. Em seu trabalho de identificação dos mortos, o qual lamenta ter falhado por só ter identificado 4.200 em um universo de mais de 11 mil, Caco diz que “63% eram pessoas de bem, 3 da classe média e negros em sua maioria”.

Por fim, o jornalista faz um apelo para que a polícia pare de matar. “Só existe assalto com refém, quando se tem uma polícia que mata”, finalizou.

Foto: Elaine Dellaflora

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