Comunicóloga fala sobre cultura do cancelamento analisando o BBB21

Se tem um tema que ficou muito mais em evidência entre os brasileiros com esta edição do Big Brother Brasil foi o “cancelamento”, termo que consiste na exclusão e bloqueio de uma pessoa específica por um determinado grupo de pessoas que discordam da opinião ou atitude do cancelado.

Analisando o “jogo fictício”, mas que reproduz, e muito, a vida real, assim como o próprio nome de reality diz, a comunicóloga Maytê Carvalho falou sobre a cultura do cancelamento no país, com seriedade e cuidado sobre o tema.

Maytê avalia que é preciso tomar cuidado com algumas pautas e termos para que não haja confusão por parte das pessoas com o que eles realmente representam.

“É preciso separar um discurso de ódio de um discurso de liberdade de expressão. Quando, por exemplo, se promove um discurso xenofóbico, racista, homofóbico e anti-semita, estão promovendo uma pauta anti-direitos humanos, ação que já não é mais tolerada e é declarada como crime pela ONU”, diz Maytê.

A comunicóloga também analisou o comportamento de alguns participantes do Big Brother Brasil 21, entre “canceladores e cancelados”, como Lucas Penteado, Karol Conká e Lumena.

Para Maytê, muitas das falas de Karol e Lumena não prestam um serviço ideal para a pauta do movimento negro e feminista, por exemplo.

“São corriqueiras as falas de intimidação por parte dos participantes, especialmente da Conká e da Lumena […]. São silogismos e saltos indutivos perigosos, pautados em generalizações apressadas que não somente esvaziam a pauta do movimento negro e feminista, mas atendem a uma agenda individual das participantes”.

A profissional também analisou a participação de Lucas Penteado na casa e o que representou tudo o que o ator viveu de pressões no confinamento.

De acordo com Maytê, a desistência do Lucas, por exemplo, foi resultado dessa intimidação direta sofrida pelo ator paulistano , que pedia acolhimento e foi ignorado. “No caso dele, ainda mais com um quadro clínico, é preciso o uso da comunicação não violenta para resolução de conflitos”.

A comunicóloga, por fim, não descartou a pandemia como um dos fatores responsáveis pelo desequilíbrio visto nos participantes. Não estamos nas nossas condições normais de temperatura e pressão. Pesquisas indicam que a saúde mental das pessoas foi abalada com a situação do isolamento social”, concluiu.

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