Divulgação O Villa Mix São Paulo

A ação trabalhista que uma ex-recepcionista moveu contra a casa Villa Mix, em São Paulo, fez vir à tona um esquema racista de seleção de clientes que tinham direito a entrar na famosa balada sertaneja.

Conversas pelo WhatsApp anexadas ao processo mostram que um gerente do local deu bronca na equipe por deixar um cliente negro entrar na festa. Ele, inclusive, anexou uma foto do rapaz. “Quero saber quem deixou entrar”, questionou ele. A hostess foi afastada de seu emprego no dia seguinte e ganhou, nos tribunais, uma indenização de R$ 60 mil por danos morais.

A ex-funcionária é negra e afirmou que o Villa Mix a obrigava a “restringir” o ingresso de pessoas negras por não se enquadrarem no perfil de clientes “pré-estabelecidos”.

Reprodução Presença de cliente negro causou briga no WhatsApp

Raphael Forcioni Chinche é o advogado que defende a ex-recepcionista. Ele anexou aos autos o seguinte trecho, que menciona a conversa pelo aplicativo de mensagens: “constata-se que o Sr. Denis, chefe da reclamante e gerente da reclamada, envia uma imagem e questiona: ‘quero saber quem liberou?’ (referindo-se a imagem) e em seguida envia mais duas imagens – diga-se fotos de uma pessoa negra”.

Ele segue: “em seguida as colegas de trabalho da reclamante conversam e negam a liberação, dizendo que ‘barraram muita gente na fila’. O chefe, Sr. Denis, ainda contrariado com a liberação do rapaz, diz: ‘eles pegaram mesa na pista’.

Pelo WhatsApp, o diálogo segue: “Denis esse cara estava junto com um cliente da niss e eu barrei, a niss pediu pra vc e ela disse que vc liberou. Eu falei que não era perfil… Não falei Niss?”, justifica a então recepcionista. “Ela disse que eu liberei como assim?”, pergunta o gerente. “Pergunta pra niss foi a ultima mesa que entrou”, diz a funcionária. “Não liberei. Mas amanhã alinhamos isso”, finaliza o gerente.

Outro lado
Através de seu advogado, a Villa Mix enviou um comunicado à imprensa se defendendo das acusações. O comunicado  também foi reproduzido via redes sociais.

A casa de shows Villa Mix conta com quase 06 anos de atividade, proporcionando diversão e alegria aos seus clientes, sempre agindo em estrito cumprimento às normas e à ética, tratando toda e qualquer pessoa com igualdade. Considerando a veiculação da notícia com o título: “Justiça condena Villa Mix a pagar indenização a ex-funcionária por ter de restringir entrada de negros”, pela imprensa e pelas redes sociais, esclarece que a matéria vem sendo divulgada de forma deturpada.

Referida sentença foi julgada parcialmente procedente, oriunda de um processo trabalhista, sobre o qual será interposto recurso ordinário e, portanto, passível de modificação no Tribunal.

A respeito do racismo citado, é importante ressaltar que já houve investigação por órgãos realmente especializados (diferente da Justiça do Trabalho) para apurar eventual crime de racismo ou qualquer tipo de discriminação racial, tais como: membros do Ministério Público Civil e do Trabalho e também pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância – DECRADI, sendo todos os casos concluídos, após vastas investigações, pela inexistência de provas que atestem no sentido de ter existido qualquer prática de discriminação por parte da Villa Mix.

Há de se inclusive ressaltar que a mesma autora que ingressou com a ação alegando prática de discriminação por parte da casa, que supostamente teria lhe causado o dano moral e ‘abalo psicológico’, que há menos de uma semana, postava fotos em seu “instagram” divulgando a marca “Villa Mix”:

Por fim, o Villa Mix reitera que repudia qualquer tipo de discriminação, não tendo, jamais, praticado qualquer ato dessa natureza, conforme atestaram todos os órgãos competentes.

Atenciosamente,
Maurício Ozi
Ozi Advocacia

Com informações de O Estado de S Paulo.

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Gerente do Villa Mix deu bronca em recepcionista por deixar cliente negro entrar em balada

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