A ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, lançou nesta terça-feira seu livro de memórias, no qual menciona a liderança exemplar da presidente Dilma Rousseff.


Em “Hard Choices” (“Escolhas Difíceis”, em tradução livre), Hillary dedica um capítulo à América Latina, com subtítulo de “Democratas e demagogos” e identifica Dilma e o falecido líder venezuelano Hugo Chávez como os dois lados da moeda no continente.

Segundo a ex-secretária de Estado, Chávez não era uma “ameaça real, exceto para seus próprios cidadãos” e o classifica de “estorvo” para a política externa americana.

Sobre Dilma, Hillary escreveu que “pode ser que não tenha o colorido descaramento de Lula ou a experiência técnica de (Fernando Henrique) Cardoso, mas tem um forte intelecto e verdadeira determinação”.

“Em vez de desprezar ou bater e encarcerar os manifestantes, como tantos outros países fizeram, inclusive a Venezuela, Dilma se reuniu com eles, reconheceu suas inquietações e lhes pediu para trabalhar com o governo para resolver os problemas”, acrescenta Clinton em suas reflexões.

A ex-secretária de Estado assegura, além disso, que os Estados Unidos devem superar seus preconceitos em relação à América Latina e reconhecer os avanços tanto políticos como econômicos que o continente experimentou nos últimos anos.

Na lista de elogios, Hillary também inclui a presidente do Chile, Michelle Bachelet, que inclusive classifica de “amiga”, enquanto entre “os demagogos” põe, ao lado de Chávez, Fidel Castro e o ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya, derrubado por um golpe de Estado.

Além disso, a chefe da diplomacia americana entre 2009 e janeiro do ano passado relata que, sob seu mandato, recomendou ao presidente Barack Obama reduzir a pressão econômica contra Cuba, “porque não era útil para os interesses americanos dirigidos a promover a mudança na ilha comunista”.

Em sua opinião, o embargo só conseguiu “dar a (Castro) alguém a quem culpar pelos males econômicos de Cuba (…), não estava cumprindo os objetivos (…) e estava lastrando em um marco mais amplo a agenda de toda a América Latina”.

As memórias de Hillary Clinton causaram muita expectativa nos Estados Unidos e muitos veem nelas um prelúdio ao anúncio oficial de sua candidatura à presidência pelo Partido Democrata.

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