No lugar da garotada gritando, o uso das máquinas para trabalho (como usava o casal de namorados Joelson e Daniele, que procurava informações sobre preços de saxofones – instrumento que Joelson toca na orquestra da igreja). Ao lado do Orkut e do msn o principal atrativo dessas lans é a impressão de currículos de emprego – errou feio mesmo quem achou que uma típica lan house de periferia seria um local depredado, repleto de vândalos.

Caminhando dois quarteirões, na mesma rua, visitei a lan house Virtual Cyber, uma das mais modernas de Heliópolis. Mesmo com apenas três anos de existência, ela está entre as mais antigas dali (o que mostra bem o quanto o fenômeno é recente nas áreas mais pobres. As primeiras lans do Brasil surgiram por volta de 1998). Lá conversei com a sorridente Charliane Santos (foto), 19 anos, filha da dona e orgulhosa por ter saído, ao lado de sua mãe, numa matéria do Estadão.

Ela viu de perto o boom e a queda do negócio: “quando me perguntam se lan house dá dinheiro, eu digo que dava… Há três anos atrás. Hoje em dia já tem lan house em todo lugar e ficou um pouco mais difícil”. Charliane estuda direito e pretende seguir carreira, mas espera nunca se distanciar totalmente da Virtual Cyber. “A gente conhece muita gente bacana aqui”.

E foi exatamente com essa impressão que me despedi. Uma pessoa bacana, em especial, não poderia ficar de fora da reportagem. Mariana Antunes, de 20 anos, tem computador em casa, mas prefere usar a lan house do que encarar sua internet discada. Queria apenas fazer umas perguntas rápidas, mas ela é do tipo que gosta de falar da vida e não vimos o tempo passar (lá se foi 1 real do crédito dela na lan house, durante a mais de meia hora que conversou comigo sem olhar pro computador). Peguei o msn porque sei que quase todo dia ela estará online, direto da lan house.

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