Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro, está se preparando a rigor para uma das festas anuais mais tradicionais do município, que começam na sexta-feira, dia 30 de maio, e se estendem até dia 8 de junho. As festas do Divino Espírito Santo, de origem portuguesa, acontecem movimentam a população e visitantes com uma programação cheia de atividades temáticas e shows gratuitos.

O festejo se realiza por ocasião do dia do Pentecostes (50 dias depois da Páscoa) e é uma das manifestações mais antigas do catolicismo popular – em Angra, a realização é da Prefeitura, mas tem o apoio da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição. Sua origem remonta ao século XIII, na pequena cidade de Alenquer, em Portugal, a cerca de 40 km de Lisboa, e hoje ela resiste em vários estados do Brasil.

Chegou a Angra dos Reis chegou no século XVII e se tornou uma das suas festividades mais importantes, reunindo turistas, fiéis e moradores. São três dias de procissões, missas solenes, novenas e danças antigas, em geral de origem também portuguesa, como Velhos, Coquinho, Marujos, Jardineiras e Lanceiros, apresentadas por grupos folclóricos lusitanos do Rio de Janeiro. A intenção de toda essa festa é celebrar o episódio do Novo Testamento da Bíblia, em que o Espírito Santo desce em línguas de fogo sobre a Virgem Maria e os apóstolos de Cristo. Um dos rituais mais conhecidos é a chamada “constituição do Império do Divino”, com palanques e coretos onde se ergue o assento do Imperador – uma criança escolhida entre as famílias da comunidade que simbolicamente goza dos poderes de rei, podendo ordenar a libertação de presos comuns, como originalmente acontecia em Portugal.

A programação para estes dias está dividida entre exposições alusivas à festividade nos espaços culturais do município e os shows gratuitos, que acontecem principalmente na Praça da Matriz, a partir do dia 30, quando a Banda do Colégio Naval se apresenta, às 21h. No dia seguinte, é a vez dos Amigos do Alto Minho, no mesmo horário, que trará à pequena cidade fluminense o tradicional e conhecido ritmo da terrinha – o Vira. Cabe à Orquestra Villa Lobos encerrar o fim-de-semana, no domingo, com uma apresentação dedicada à música brasileira.

Na semana seguinte, o Cais Santa Luzia promove a abertura oficial da festa, com a chegada do menino Imperador, recebido pelas autoridades do município, levado até à delegacia, onde acontece a simbólica libertação do preso, interpretado por um ator.

A programação musical também segue semana adentro, quando três grupos folclóricos de tradição lusitana vão animar as noites da Praça da Matriz: o Casa de Viseu se apresenta na sexta-feira, dia 6 de junho, com as danças do Coquinho, Jardineiras e Lanceiro, e no dia seguinte, o Casa do Minho leva ao palco Coquinhos, Velhos e Marujos. No domingo, dia 8, o grupo Guerra Junqueiro da Casa Trás os Montes e Alto Douro encerra a festa, seguindo da tradicional queima de fogos.

Para quem quiser se aprofundar um pouco mais na temática do Divino, a mostra anual denominada Salão de Pintura do Divino, na Casa de Cultura Poeta do Brasil dos Reis, exibe estão obras pictóricas alusivas à Festa, reunindo artistas plásticos locais. Ainda na Casa estará exposta uma maquete do Império com bonecos em tamanho real e outra menor, em papel-machê, feita pelos integrantes da oficina de Papietagem, do artista Gustavo Valente.

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