Começou junto com a garoa na nublada e típica tarde paulistana deste sábado (22) mais uma edição do Kolombolo, tradicional bloco de Carnaval de rua que esquenta foliões nas ondulosas e boêmias ruas da Vila Madalena. Em sua sexta edição no bairro da zona oeste, o cordão animou muita gente, fantasiada ou não, que não ligou pro chuvisco e caiu no samba.

O samba-enredo serviu para homenagear os 100 anos do Grupo Barra Funda, que deu origem à Escola de Samba Camisa Verde e Branco. Como intérprete, uma lenda do samba paulistano, Pai Élcio D’Oxalá, que cantou de esquina a esquina em cima do trio elétrico que partiu da Rua Belmiro Fraga, sambou pela Inácio Pereira da Rocha, gingou entre mais algumas calçadas para descansar – só modo de dizer – na Rua Harmonia.

Pessoas de todos os tipos, idades e nacionalidades conferiram o cordão – que não é bloco – fazendo reverência ao digno samba nascido no outro lado da região oeste paulistana. Ideval Anselmo e Zelão (criadores de diversos sambas-enredo campeões do Carnaval paulistano) foram outras duas lendas do samba que deram o ar da graça no barracão, ou melhor, casarão que abrigou o esquenta dos músicos antes de partirem ao asfalto com a bênçao de dois de seus grandes nomes.

A Vila Madalena abriga diversos hostels e repúblicas que, entre estudantes brasileiros, também abrigam estrangeiros. A reportagem encontrou três deles que se divertiam aqui, esquecendo de tudo, mas já tinham destino marcado, preparando-se para curtir o Carnaval em Atibaia, como disse a russa, acompanhada de um casal francês, em bom português.

“Morou, morou, morooooou. A estrela guia, linda menina” era o trecho que mais ficou na cabeça das centenas de foliões pelas ruas da famosa “Madá”, sempre repetindo os os (ós) e os (ôs) com o vigor nunca cansado.

A cofundadora do Kolombolo, Lígia Fernandes, falou sobre a importância que o grupo Barra Funda tem no Carnaval do estado e mostrou-se muito orgulhosa do cordão que já tem 12 anos, com desfile inaugural datado de 2006 – ocorria no centro de São Paulo e só dois anos depois migrou e fez casa na vila das vilas.

Com início às 16 horas e final ainda não registrado, o cordão Kolombolo promete varar a noite de uma das expressões mais bem-vindas aos ouvidos do brasileiro, o “sábado de Carnaval” (mesmo sendo oficialmente só na semana que vem).

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