Reunindo 3 mil obras de 111 artistas de diferentes partes do mundo, números inferiores ao da última edição, a 30ª edição da Bienal de São Paulo, que neste ano traz o título A Iminência das Poéticas, abre suas portas ao público nesta sexta (7) e se estenderá até o dia 9 de dezembro.

Os portões do pavilhão Bienal, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, foram abertos em pleno feriado da independência e sem cerimônias oficiais, recebendo convidados, imprensa e público sem qualquer distinção.

Nesta 30ª edição, a Bienal gira em torno do conceito de “constelação” para buscar uma reflexão sobre os vínculos que são estabelecidos entre as obras, assim como o diálogo entre seus criadores, sejam eles estrelas ou não.

“As imagens e as obras não produzem sentido sozinhas, mas na medida em que elas se relacionam”, afirmou o curador da Bienal, o venezuelano Luis Pérez-Oramas.

Sob esse prisma, a Bienal também busca vínculos e conexões com a cidade de São Paulo, já que, além do pavilhão situado no Parque Ibirapuera, a edição deste ano também se estende ao Museu da Cidade, ao MASP e ao Instituto Tomie Ohtake, entre outras localizações – como a Avenida Paulista, que deverá receber uma série de intervenções.

De vocação intelectual, mas em busca de uma experiência única entre o cidadão e a obra artística, e afastada do barulho que despertou a edição anterior, a Bienal deste ano pretende ser um evento para a “ressonância de suas obras e seus artistas”.

Em entrevista coletiva, Pérez-Oramas explicou nesta semana que o processo de seleção dos artistas foi “complexo, detido e muito reflexivo”, já que para essa seleção o curador também fez questão de conhecer alguns ateliers.

“Não escolhemos artistas vendo índices de outras Bienais”, afirmou o Pérez-Oramas, que especificou que estava em busca de obras que se desdobrassem como um sistema.

O curador, que considera que não se sabe nada de uma obra de arte até que se tenha uma experiência da mesma, declarou à Agência Efe que o processo de materialização da Bienal deu chances aos integrantes da equipe de comissários se surpreender “permanentemente”.

Diante de uma montagem impecável, que conta com eixos diferenciados nos distintos andares do edifício, Pérez-Oramas afirmou que o conceito de iminência, em referência ao título da mostra, significa que “algo está por acontecer” e só se sabe do que se trata ao vivenciar essa experiência.

André Severo, curador associado, explicou à Agência Efe que o conceito de diálogo foi um elemento central na concepção da 30ª edição da Bienal, confirmando que um dos objetivos era “que o discurso curatorial não se sobrepusesse à obra” e, por isso, que as peças possuem um espaço próprio.

Segundo Severo, uma vez a Bienal é montada, o diálogo permanece suspenso e só se completa e se ativa quando alcança e envolve o cidadão.

A última edição da Bienal, que gerou uma grande polêmica em relação ao direito dos animais, já que uma obra das obras exibidas contava com um grupo de abutres vivos, recebeu a visita de 530 mil pessoas.

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