A coleção de mais de 1,4 mil telas apreendida pelas autoridades alemãs em um apartamento de Munique, a qual inclui desde joias do século XIX até obras nunca catalogadas, também conta com obras desconhecidas de artistas como Marc Chagall e Otto Dix, informaram nesta terça-feira os investigadores do caso.

A promotoria de Augsburgo, através de uma entrevista coletiva, apresentou os primeiros dados oficiais sobre essa operação, iniciada em 2010 com um controle de alfândegas em um trem entre Suíça e Alemanha e que se estendeu até 2012, quando a polícia alemã chegou ao apartamento de Cornelius Gurlitt, de 80 anos, onde as obras foram encontradas.

Trata-se de 1.285 quadros não emoldurados e 121 emoldurados, sendo que o mais antigo é datado no século XVI. De acordo promotor chefe de Augsburgo, Reinhard Memetz, além da grande quantidade de sujeira e de pó, todas as obras se encontram em perfeito estado.

Segundo a pesquisadora da Universidade Livre de Berlim, Meike Hoffman, a coleção não conta só com quadros da chamada “arte degenerada” – as obras dos “clássicos modernos” confiscadas pelos nazistas no final dos anos 30 -, mas também com peças de séculos anteriores.

Na entrevista coletiva, a pesquisadora apresentou imagens de várias das obras, entre as quais destacou dois dos grandes descobrimentos de incalculável valor para os pesquisadores do mundo da arte: uma pintura alegórica de Chagall, de origem desconhecida e da qual não se tinha notícia até então, e um autorretrato de Otto Dix, também não catalogado.

Como exemplos da coleção, Meike também mostrou quadros de Henri Matisse, Max Libbermann e Ernst Ludwig Kirchner, todos encontrados no apartamento junto a outras obras de Pablo Picasso, Franz Marc, Emil Nolde, Carl Spitzweg, Pierre-Auguste Renoir, August Macke, Gustave Courbet e Max Beckmann.

A investigação sobre a origem dos quadros, explicou o promotor, é “muito complicada”, já que se trata de obras que desapareceram há 70 anos e que passaram por diferentes mãos durante esse período.

A descoberta em questão foi mantida em sigilo até o último domingo, quando a revista Focus publicou uma reportagem sobre a mesma. Posteriormente, as autoridades asseguravam que não têm intenção de mostrar o conjunto das obras encontradas na internet.

De acordo com Memetz, a divulgação das imagens dificultaria ainda mais a investigação diante da previsível avalanche de reivindicações de possíveis donos de quadros, que poderia prejudicar os interesses dos verdadeiros proprietários.

A origem de toda a operação se remete ao último dia 22 de setembro de 2010, quando foi iniciada uma investigação em torno de uma suposta evasão de impostos de Cornelius Gurlitt, filho de um grande marchand de arte já falecido. 

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