Destaques da seleção masculina de vôlei e eleito o melhor jogador dos Jogos Olímpicos de Londres na modalidade, o ponteiro Murilo, apontado por Giba como o líder da nova geração brasileira, concedeu uma entrevista exclusiva ao Virgula Esporte e falou sobre o futuro do esporte no Brasil, Olimpíadas do Rio de Janeiro e como está observando a permanência ou não do técnico Bernardinho à frente do selecionado brasileiro.

Chateado pela derrota na grande final em Londres para a Rússia, o camisa 8 exalta os adversários, mas não esconde o desapontamento pela medalha de prata. “É complicado falar, ainda dói bastante. Nós, jogadores, ainda não nos encontramos, apesar de termos voltado de Londres juntos e termos feito a coletiva, mas depois disso cada um foi pra sua casa, seu clube. Ainda é difícil falar sobre a final, a gente teve tão perto de ganhar o ouro, acabamos cedendo a pressão da equipe russa. Méritos deles, claro, mas fica aquele sentimento de derrotar, apesar da conquista da prata para o Brasil”, disse.

Já pensando nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, o ponteiro projeta uma seleção forte, ainda comandada por Bernardinho, mas muita pressão por parte da torcida pela conquista do ouro. 

“Está muito longe até os Jogos do Rio, mas o tempo passa muito rápido. Eu acredito e espero que o Bernardo fique. Acho que ainda não foi confirmado publicamente, ou pelo presidente ou por ele, se ele renovou o contrato. Mas a gente, que vem trabalhando muitos anos com ele, torce pra que ele continue, pois com certeza ele é o melhor técnico que a gente tem aqui no Brasil. Quanto ao grupo, vai sofrer mudanças. Isso é normal. Já com as aposentadorias de Rodrigão, Giba e Serginho, já são três vagas. A gente espera revelar novos talentos, pois isso é muito importante. Ano a ano, a gente busca isso. A CBV vem fazendo um trabalho muito bacana com as seleções de base. E isso é essencial, pois precisaremos estar muito forte para 2016, já que a pressão será muito grande”.

Questionado sobre a possibilidade de um técnico estrangeiro na vaga de Bernardinho, Murilo recuou e disse que nunca pensou na possibilidade, além de “eleger” os seus candidatos a novo comandante da seleção.

“Outros técnicos sim, já passaram pela minha cabeça, mas estrangeiro não. Temos ótimos técnicos aqui no Brasil, que poderiam substituir o Bernardo. Posso te citar aqui Giovane, que é meu técnico no Sesi, o Pacheco, que hoje é técnico do Campinas, mas que obteve muitas conquistas com o Florianópolis. O próprio Marcelo Fronckowiak, que fez um trabalho excelente na França, voltou pro Brasil e hoje está no RJX. Então a gente tem ai técnicos em condições, e acho que não precisaríamos sair do Brasil para buscar um técnico. Mas, confio e torço pela permanência do Bernardo”, explicou.

Por fim, a esperança brasileira no vôlei masculino deixou claro que as mudanças que o time vem sofrendo com o passar dos anos é algo natural, e aposta em uma geração forte e vencedora daqui pra frente, dando continuidade, assim, ao que foi feito por Tande, Giba, Giovane e outros.

“A seleção vem sofrendo mudanças desde 2004. Tivemos Tande e Giovani saindo com a conquista do ouro, o próprio Nalbert, em 2008 eu já estava, o próprio Bruninho já estava, então a seleção vem sofrendo mudanças continuas. Para 2002 já tínhamos remanescentes de 2004, Rodrigão, Giba, Serginho e Dante. Anos que vem a gente não sabe com quantos desses podemos contar. Talvez só com o Dante. Mas a gente veio adquirindo bagagem nos últimos anos, e acho que para 2013 temos condições de representar e dar sequência a esse trabalho que vem sendo feito e construindo desde 2011 pelo Bernardo. Nossa função é dar sequência a tudo isso”, concluiu.

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