Somente dois dias após ter vencido seu segundo Grand Slam na carreira, Bruno Soares voltou ao Brasil. Após uma passagem rápida por sua terra natal, Belo Horizonte, o bicampeão de duplas mistas do US Open esteve nesta segunda-feira (08) no Ginásio do Ibirapuera para falar da Copa Davis, na qual ele competirá no duelo contra a Espanha. Competições à parte, Bruno contou ao Virgula Esporte  um pouco mais de como vem sendo sua escalada ao estrelato (não que isso seja proposital).

Ele era um dos favoritos ao título de duplas ao lado do austríaco Alexander Peya, com quem já ganhou diversos canecos e entrou na competição como cabeça de chave número 1. Mas a eliminação precoce o deixou “apenas” com as duplas mistas. A parceria recém-formada com a indiana Sania Mirza (foto abaixo) deu mais do que certo.


A parceira de Bruno no título do US Open, a indiana Sania Mirza

“A gente sabe que Grand Slam é uma coisa acima de tudo que temos. Grand Slam é o tipo de torneio que você sonha, que você se vê jogar. Você vai evoluindo no tênis profissional, vai vendo que está ficando cada vez mais próximo (de vencer) e ser campeão de um torneio como este é muito especial”, começou o tenista.

A coletiva aconteceu em um dos auditórios do Ginásio, não tinha muita iluminação, nem estrutura. Nem muitos jornalistas, que ficaram de pé a menos de um metro do melhor tenista brasileiro da atualidade. Bem longe do que é quando se teria um Novak Djokovic ou uma Serena Williams para falar com a imprensa, apesar de o brasileiro ser tão respeitado quanto estes atletas no circuito. Bruno Soares é o quinto do ranking individual de duplistas da ATP e tem a terceira dupla mais bem ranqueada no mundo ao lado de Peya.


Coletiva de imprensa com Bruno Soares no Ginásio do Ibirapuera 

Esta falta de notoriedade não é problema. Desde os tempos de Guga, este esporte caiu no “ranking imaginário” dos mais populares no país. Mas isso não é nem de longe um problema para este mineiro, que olha para frente.

“Estou jogando no mais alto nível, estou entre os melhores jogadores de duplas do mundo e sei que tenho condições para ganhar de qualquer um”, avaliou, com razão.

Porém não vá pensando que Bruno Soares passa despercebido nas ruas. Dadas as devidas proporções, ele tem status de celebridade sim.

“Vira e mexe estou andando por aí e pedem para tirar foto. Sou diferente, não sou aquela coisa que era a Guga, que era aquele negócio frenético, o povo vinha correr atrás. O meu vai muito mais do carinho, da pessoa vir e bater uma foto, falar ‘parabéns, acompanhei os seus jogos’, ‘tira uma foto?’, ‘dá um autógrafo’. É uma coisa mais moderada, mas acontece”, respondeu.


Aos 32 anos, o mineiro está realmente ‘jogando um bolão’ 

Bruno se dedicou à carreira de simples até 2005. Uma lesão séria o fez repensar os objetivos e, cerca de dois anos depois (a recuperação demorou), achou por bem se dedicar às duplas. Como sabemos, deu muito certo. Diferentemente do já citado Gustavo Kuerten, que teve seu auge bem antes dos 30, o atual campeão de duplas mistas do US Open vive o auge aos 32, e só há pouco tempo sente o gosto de ser reconhecido pelos bons resultados.

“O momento que mudou demais foi quando eu ganhei o US Open pela primeira vez, em 2012 (com a russa Ekaterina Makarova). No meio do tênis, obviamente, todo mundo te conhece, sabe quem você é. Quando você começa a ser reconhecido por pessoas que não são muito ligadas no esporte é que você começa a ter uma noção boa de que você está aparecendo, que conquistou algo maior do que o mundo do tênis que você está envolvido”, finalizou.

Esporte por esporte, Bruno crê que o tênis, ou qualquer outra modalidade, jamais ultrapassará o futebol no gosto popular do brasileiro.

Bruno tietando o zagueiro David Luiz, então no Chelsea 

“O futebol vai ser sempre o número um. Para mim, vai ser difícil mudar isso aí, mas a gente pode levar vários outros esportes para as pessoas também. Acho também que, muitas vezes, as pessoas vão para o futebol por falta de opção. O futebol é muito fácil, é pegar uma bola, jogar na rua. Tênis, basquete e natação já precisam de uma certa infraestrutura para participar”, opinou.

Concentrado como se mostra nas quadras, o tenista admitiu que não acompanha outros esportes, nem futebol, com muita assiduidade. Mas, quando questionado a respeito de seu time do coração, o tom mudou, ficou mais leve, e o sorriso apareceu. Até porque ele torce para ninguém menos que…

“Sou Cruzeiro. Está tudo encaminhando (para o bicampeonato brasileiro), igual o ano passado. Está dominando. Acabou o primeiro turno com sete pontos de vantagem e espero que sim, estou torcendo para isso” finalizou, com confiança na Raposa.

Copa Davis

Não perca! Caso queira ver Bruno Soares em quadra, ele será um dos principais trunfos do time brasileiro contra ninguém menos que a Espanha. Mesmo sem Rafael Nadal e David Ferrer, os espanhóis são perigosos, mas ainda há esperança.

“Acho que a coisa mudou completamente de figura, com esse time que a Espanha trouxe, eles passam a ser de uma equipe quase impossível de vencer para uma equipe muito forte, mas uma equipe ‘ganhável’. São favoritos ainda? São. Os jogadores deles estão sempre mais bem ranqueados que os nossos, mas são jogadores ‘ganháveis’. Isso dá uma motivação muito maior para a gente. Antes a gente praticamente não via uma luz no fim do túnel e acho que hoje a vitória fica bem mais palpável”, disse.

Os jogos são entre os dias 12 e 14 de setembro. Ou seja, já neste próximo final de semana, no Ginásio do Ibirapuera. Os sorteios dos duelos acontecem nesta quinta-feira (11).

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