O técnico da seleção da França, Laurent Blanc, pediu desculpas nesta sexta-feira pelas conversas entre dirigentes da federação de futebol do país sobre a possibilidade de criação de cotas raciais em centros de formação de jogadores, e afirmou que, embora tenha cogitado renunciar a seu cargo devido à polêmica, acredita que esta não teria sido a decisão correta.

“Minhas palavras foram equivocadas e usadas fora de contexto, de forma ofensiva. (…) Deveríamos ter nos concentrado no jogo, mas a conversa entrou no problema de jogadores com dupla nacionalidade”, disse o treinador em entrevista à rede de televisão “TF1”.

Nessa reunião, segundo uma gravação que vazou à imprensa, Blanc afirmou: “Atualmente, os grandes e fortes (jogadores) são os negros. É assim, é um fato. Deus sabe que nos centros de formação, nas escolas, há muitos. Acho que é preciso buscar outros critérios, modificados com nossa própria cultura”.

Em sua entrevista de hoje, Blanc explicou que “é preciso determinar se há um problema ou não com a dupla nacionalidade”, e indicou que no caso de considerá-lo existente, é preciso debatê-lo “prestando muita atenção às palavras que são utilizadas, porque se trata de um tema sensível”.

O técnico, que foi desculpado pelo Conselho da Federação Francesa de Futebol (FFF) e pela comissão de investigação do Ministério dos Esportes, disse que a polêmica em torno do tema lhe afetou “não só como profissional, mas também como pessoa”.

“Apresentei minha renúncia? Em nenhum momento. Pensei em renunciar? Sim, porque chega um momento em que você sente que tudo acelera, e que as coisas ganham uma dimensão que vai além do esportivo”, disse Blanc, que pretende continuar com sua “missão” de classificar a França para a Eurocopa de 2012.

“Não se pode sair imune desta tempestade, mas o que estimula um técnico é a vitória. Não cabe a mim decidir se é preciso reformar o futebol francês, o que me interessa é ser competitivo”, finalizou.

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