O Corinthians divulgou nesta sexta-feira (12) um manifesto contra a homofobia no futebol. Através do seu perfil no Twitter, no Facebook e também em seu site oficial, o clube paulista condenou a atitude de alguns torcedores que gritam a palavra ‘bicha’ sempre quando o goleiro adversário vai cobrar um tiro de meta.

“Aqui é o Time do povo. Do povo e para o povo. Desde 1910, aqui se combateu o elitismo e o racismo. Aqui houve pioneirismo na inclusão social e racial. Aqui não tem pobre, rico, negro ou branco. Aqui somos todos Corinthians. Aqui nos engajamos para ir às ruas e brigar pelas ‘Diretas Já’ em um movimento inédito e histórico que uniu futebol e democracia. Como fazemos na arquibancada e em campo, aqui lutamos até o fim para que todos sejam iguais. E aqui não há, e nem pode haver, homofobia. Pelo fim do grito de ‘bicha’ no tiro de meta do goleiro adversário. Porque a homofobia, além de ir contra o principio de igualdade que está no DNA corinthiano, ainda pode prejudicar o Timão. Aqui é Corinthians!””, diz o comunicado publicado em uma imagem na rede social.

 

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O grito entoado por alguns torcedores nas arquibancadas da Arena Corinthians na noite da última quinta-feira (11), durante a vitória por 1 a 0 contra o Atlético-MG, foi inspirado nos torcedores mexicanos, que têm o costume de gritar ‘puto’ a cada cobrança do goleiro rival. 

Punição

Durante o clássico entre Corinthians e São Paulo disputado em março deste ano, no Pacaembu, válido pelo Campeonato Brasileiro, o goleiro Rogério Ceni foi alvo de constantes xingamentos por parte de alguns torcedores alvinegros com o grito sincronizado de “bicha. Na oportunidade, Antonio Carlos Meccia, procurador-geral do TJD-SP (Tribunal de Justiça Desportiva), disse que o clube do Parque São Jorge pode seria denunciado e punido pelo ato dos torcedores, caso seja enquadrado no artigo 243-G do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva).

Receoso com consequências semelhantes a do caso Grêmio, em que o clube gaúcho foi punido por conta do ato racista de alguns torcedores contra o goleiro Aranha, principalmente no clássico contra o São Paulo, marcado para acontecer no dia 21, na Arena, o Corinthians ançou nesta sexta-feira uma campanha direcionada à sua torcida.

Veja abaixo o artigo 243-G completo do CBJD

Art. 243-G. Praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA: suspensão de cinco a dez partidas, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de cento e vinte a trezentos e sessenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este Código, além de multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais). (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º Caso a infração prevista neste artigo seja praticada simultaneamente por considerável número de pessoas vinculadas a uma mesma entidade de prática desportiva, esta também será punida com a perda do número de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente, e, na reincidência, com a perda do dobro do número de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente; caso não haja atribuição de pontos pelo regulamento da competição, a entidade de prática desportiva será excluída da competição, torneio ou equivalente. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º A pena de multa prevista neste artigo poderá ser aplicada à entidade de prática desportiva cuja torcida praticar os atos discriminatórios nele tipificados, e os torcedores identificados ficarão proibidos de ingressar na respectiva praça esportiva pelo prazo mínimo de setecentos e vinte dias. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 3º Quando a infração for considerada de extrema gravidade, o órgão judicante poderá aplicar as penas dos incisos V, VII e XI do art. 170. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

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