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O futebol americano é um esporte que vem ganhando um espaço muito grande em território brasileiro nos últimos anos. Aumento no número de jogos transmitidos nos canais a cabo e até mesmo na TV aberta, novos fãs e praticantes, e a inédita vaga para a vaga na Copa do Mundo da modalidade conquistada pela seleção brasileira estão ajudando o esporte da bola oval a se tornar mais popular no país que respira futebol.

Sem o mesmo glamour da NFL, contudo, o futebol americano no Brasil tem algumas barreiras esportivas enraizadas na cultura do país que precisam ser superadas para que a modalidade continue a crescer e, quem sabe, virar uma mania entre os brasileiros. Quarterback do Brasil Onças, como é conhecida a seleção brasileira de futebol americano, o jovem Rodrigo Dantas, de 22 anos, é um dos maiores incentivadores da categoria no Brasil. Em entrevista exclusiva ao Virgula Esporte, o craque do João Pessoa Espectros, da Paraíba, que é formado em Ciência da Computação, abriu o jogo sobre como é a vida de um atleta da bola oval no país do futebol.

“Tudo começou quando eu ainda era criança. O contato inicial foi através das partidas na TV, depois com os jogos de videogame. Quanto mais eu entendia o esporte, mais eu gostava. Em 2005, quando tinha 12 anos, descobri através das redes sociais que no Rio de Janeiro havia o campeonato carioca disputado na praia, então busquei, com alguns amigos meus, criar o primeiro time de João Pessoa, e fomos incentivando e buscando outras equipes para fazermos os primeiros jogos ainda na praia”, disse Rodrigo.

Sobre os preconceitos que o futebol americano sofre para crescer no país, Rodrigo Dantas usa uma experiência pessoal para explicar como as barreiras culturais atrapalham o sucesso do esporte, que está muito longe de ser profissional no Brasil. “A cultura brasileira atrapalha um pouco. A maioria dos brasileiros só tem acesso ao futebol desde criança, então se acostuma a só gostar de um esporte, e a cobertura dos outros esportes na TV aberta normalmente se limita a quando o país está disputando algum título mundial, exemplo que pode ser visto no vôlei e no basquete. Por isso, às vezes encontramos muitas pessoas resistentes a esportes que tragam qualquer novidade”.

Leia abaixo a entrevista na integra com o quarterback Rodrigo Dantas, o ‘Tom Brady brasileiro’

VIRGULA: Houve algum preconceito por você disputar um esporte ‘não famoso’ no país durante sua infância e adolescência?

RODRIGO: Já ouvi brincadeiras como ‘não conseguiu nem ser goleiro aí teve que ir jogar esse esporte?’ ou algumas pessoas muito fanáticas por futebol que acham que o futebol americano é uma ‘invasão’ do espaço do nosso esporte mais popular, mas nada que tenha me incomodado.

Você consegue viver somente do futebol americano, mesmo não sendo profissional, ou exerce outra atividade remunerada?

R: Infelizmente, nenhum jogador consegue viver exclusivamente do futebol americano no Brasil. Eu sou recém-formado em Ciência da Computação e trabalho como Engenheiro de Software.

É uma questão meio óbvia, mas você acredita que um dia possa defender um time da NFL? Já se arriscou em alguma universidade dos EUA?

R: Cheguei a ter uma oportunidade em uma pequena faculdade americana, mas devido à minha idade e por já estar perto de terminar meu curso aqui no Brasil, não foi possível a minha ida, então para mim isso não é algo que eu tenha como objetivo hoje. Apesar disso, temos alguns jovens jogando em escolas e faculdades americanas que começaram jogando no Brasil que seria muito gratificante vê-los realizarem o meu sonho.

Rodrigo Dantas em ação pelos Espectros

Rodrigo Dantas em ação pelos Espectros no Couto Pereira

Abrindo o jogo pra gente, qual é o seu time do coração dentro da Liga profissional de futebol americano?

R: Green Bay Packers.

E no futebol brasileiro, para que time você torce?

R: Cresci um torcedor do Flamengo, mas hoje torço pro Botafogo-PB, time mais popular aqui  da minha cidade.

Qual seu ídolo no esporte da bola oval?

R: Meu primeiro ídolo foi o Quarterback Brett Favre, que foi a inspiração para usar o número 4 e torcer para o Green Bay Packers. Entre os jogadores em atividade, meu ídolo é o Aaron Rodgers, tambem Quarterback do Green Bay Packers.

Mesmo com todas as barreiras que temos no país, há esperança de se ter, um dia, um futebol americano potente no Brasil?

R: Eu sonho que um dia teremos alguns jogadores na NFL e uma equipe competitiva no mundial, devido ao rápido crescimento do esporte e ao nível de jogadores que já conseguimos produzir em tão pouco tempo de esporte no Brasil. Só não sei quanto tempo isso vai demorar.

Dos times que disputam as competições brasileiras de futebol americano, quais são os mais fortes?

R: O Corinthians já venceu muitos títulos, mas hoje está numa fase de “reconstrução”, pelo que acompanho, não tendo conseguido chegar tão longe quanto em anos anteriores a nível nacional. Atualmente, acho que os melhores quatro times do Brasil são o Timbó Rex, Vasco, Coritiba Crocodiles e João Pessoa Espectros.

Como manter um esporte como esse, com torneio disputados de forma esporádica, em atividade o ano inteiro?

R: Na época fora de competições, o Futebol Americano no Brasil é relativamente barato, sendo a maior parte dos nossos custos decorrente de viagens para jogos, mas ter que arcar com as viagens e se preparar para os campeonatos nacionais e também para os jogos da Seleção Brasileira, exige muitos sacrifícios em todos os aspectos do dia-a-dia dos envolvidos no Futebol Americano, é algo que exige muito amor.

O incentivo da pratica nas escolas seria uma saída boa para a popularização do esporte?

Sim, há alguns projetos pelo Brasil para introduzir a modalidade de “flag” (sem contato físico), principalmente em escolas públicas, e isso tem ajudado a divulgar e, quem sabe, plantar nos futuros jogadores a vontade de praticar o esporte.

O preconceito com o esporte é o principal empecilho para o crescimento maior do futebol americano no país?

Se não é o principal, é um fator muito importante, um dos maiores problemas é falta de campos para jogar, muitas vezes por preconceito que o Futebol Americano prejudica os gramados, e isso é algo que atrapalha demais as equipes por todo o Brasil, por não conseguirem sediar seus jogos em bons estádios bem localizados, acabam perdendo a oportunidade de oferecer um melhor evento, para um maior público. Fazendo com que tenhamos menos renda por ingressos e, principalmente, menos divulgação, já que muitas equipes acabam precisando sediar seus jogos em estádios em cidades vizinhas ou em estádios com estrutura insuficiente.

Como você enxerga essa evolução no numero de fãs brasileiros? A que se deve?

Acredito que o crescimento da prática do esporte e da audiência nos canais de televisão andam de mãos dadas, além de que o Futebol Americano é um esporte que, às vezes, demora para conquistar seu torcedor, por ter alguma complexidade, mas quando conquista, cria um público muito fiel.

Alguém já te chamou de Tom Brady brasileiro? Você já tem sua Gisele Bundchen?

Houveram algumas ocasiões que quiseram fazer essa comparação porque ele é o jogador mais famoso para o público brasileiro e jogamos na mesma posição, mas acredito que as semelhanças param por aí. Sobre eu ter a “minha Gisele”, tenho uma namorada há mais de 6 anos que, apesar de um pouco resistente a princípio, aprendeu a gostar do esporte também.

Tom Brady e Gisele Bündchen

Tom Brady e Gisele Bündchen

Brasil Onças no Mundial de futebol americano

A seleção brasileira de futebol americano conseguiu uma importante meta no ano de 2015: a classificação para o mundial da categoria. A vaga, aliás, veio de uma forma heróica com uma vitória por 26 a 14 contra o Panamá, na cidade do Panamá. Com a conquista, o Brasil Onças está na chave com França, Austrália e Coreia do Sul, e precisa de duas vitórias para se classificar para semifinal, quando poderá ter pela frente EUA, México, Canadá ou Japão.

Rodrigo Dantas, o ‘Tom Brady’ do futebol americano no Brasil

Rodrigo Dantas, o ‘Tom Brady’ do futebol americano no Brasil

 

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