O nadador Thiago Pereira concedeu entrevista exclusiva ao Virgula Esporte e, mesmo satisfeito com o seu desempenho no último Mundial de Esportes Aquáticos, onde conquistou duas medalhas de bronze, projeta o melhor momento de sua carreira para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. O atleta do Sesi-SP ainda garantiu que sua preparação começou já nas Olimpíadas de Londres 2012, de onde voltou com uma medalha de prata nos 400 m medley.

Ciente da dificuldade de estar no auge da forma daqui a três anos, afirmou que hoje nada com o pensamento todo centrado nos próximos Jogos. E, claro, confia no apoio dos brasileiros.

“Hoje estou na minha melhor forma e tenho certeza de que 2016 será ainda melhor, mesclando experiência, resultado e apoio da torcida em casa. A melhora que venho registrando aos poucos é no final de prova”, respondeu ele, que vem melhorando sua forma com musculação e até paraquedismo.

Aos 27 anos, mas um dos mais experientes nadadores brasileiros, Thiago considera-se um porta-voz do esporte, até porque acumula o cargo de vice-presidente da Comissão de Atletas da Fina (Federação Internacional de Natação) e faz parte da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico Brasileiro. Ele faz questão de assinalar que faz por prazer ao esporte e nega o rótulo de “tiozão” entre os mais novos.

“Sou um porta-voz pela experiência sim. Com cinco mundiais e três Olimpíadas, acredito que tenho muita coisa boa pra passar. Sobre o ‘tiozão’, acredito que não (risos). Tenho apenas 27 anos e muito para evoluir. Tem gente mais velha do que eu (risos), como o meu amigo Nicholas Santos, por exemplo”, contou, citando o velocista de 33 anos.

O nadador ainda comparou o seu estilo preferido, o medley, ao de César Cielo, que recentemente faturou o tricampeonato mundial nos 50 m livre.

“A diferença é que o medley exige todos os fundamentos e nados da natação. É uma alternância de força, respiração, estilo e velocidade a todo momento. O medley exige muito mais do corpo do que qualquer outra prova”, pontuou.

Leia abaixo a entrevista na íntegra com Thiago Pereira:

Você divulgou no seu site oficial que se sente obrigado a ser um dos porta-vozes da natação brasileira por toda a experiência que possui, já que compete no mais alto nível há mais de 10 anos. Aos 27 anos, se sente um dos “tiozões” da equipe?

Sou um porta-voz pela experiência sim. Com cinco mundiais e três Olimpíadas, acredito que tenho muita coisa boa pra passar. Agora, essa responsabilidade aumenta, pois sou vice-presidente da Comissão de Atletas da Fina e integro a Comissão de Atletas do COB. Sobre o ‘tiozão’, acredito que não (risos). Tenho apenas 27 anos e muito para evoluir. Tem gente mais velha do que eu (risos), como o meu amigo Nicholas Santos, por exemplo.

Virgula Esporte: As medalhas do Brasil na Mundial de Esportes Aquáticos mostram que o país está no primeiro escalão na natação mundial ou falta muito pra chegar perto dos Estados Unidos e nações europeias e orientais mais tradicionais?

Thiago Pereira: O Brasil foi bem e, se tivesse mais uma de ouro, seria quarto colocado. Difícil pegar os EUA, pois eles investem muito em piscinas e as seletivas locais são as mais fortes. A França tem uma equipe forte de velocistas e o Japão com nadadores de resistência, mas temos chance de brigar de igual para igual com eles, ficando atrás de EUA, China e Rússia. O Sesi-SP, equipe que represento, vem aos poucos ganhando força investindo na natação formativa.

O Cielo está muito no mainstream das notícias da natação. Comente as diferenças no seu estilo mais forte, o medley, com o estilo que ele é um dos melhores do mundo (50 e 100 m livre).

A diferença é que o medley exige todos os fundamentos e nados da natação. É uma alternância de força, respiração, estilo e velocidade a todo momento. O medley exige muito mais do corpo do que qualquer outra prova.

Como está a sua preparação para o Rio?

Começou desde as Olimíadas de Londres 2012. O Mundial de Barcelona pode ser considerado o primeiro passo rumo aos Jogos do Rio. Minha preparação é totalmente voltada para a vitória.

Você nada todas as suas provas pensando em 2016? A pergunta é no sentido de não mais se importar tanto com o resultado, mas só com a performance e o que tem que melhorar para que daqui a três anos você esteja na melhor forma de sua vida.

Hoje estou na minha melhor forma e tenho certeza de que 2016 será ainda melhor, mesclando experiência, resultado e apoio da torcida em casa. A melhora que venho registrando aos poucos é no final de prova. Faço trabalho de forças com paraquedas e musculação.

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