A poucas horas do início da Copa do Mundo de 2014, a venda de ingressos por meios não-oficiais continua firme e forte. Além de triste. Pessoas comuns e sites dos mais variados tentam ganhar dinheiro em cima do preço original dos itens, e tem até lugar em que o tíquete para a final do torneio, que custava oficialmente entre R$ 330 e R$ 1.980 quando ainda era disponível, esteja sendo vendido a até R$ 16,569 mil.

O Virgula Esporte  pesquisou diversos sites, além da maior comunidade brasileira no Facebook para a finalidade, chamada ‘Ingressos Copa do Mundo 2014’ e que reúne quase 24 mil seguidores. O que se vê é uma maioria de abuso nos preços, algo que é ilegal, segundo a Fifa e as Delegacias do Consumidor (Decon).

Torcedor que quiser revender o seu ingresso, por motivos dos mais variados e com indiferença quanto aos motivos, terá que utilizar a ferramenta no próprio site da entidade que rege o futebol (neste link), mas, se também soubemos de casos de pessoas que utilizaram esta forma para se desfazer de seu ingresso, a maneira alternativa de venda é muito mais propagada na grande rede.

A comunidade supracitada atenta aos membros que cada ingresso pode ter somente 100% de lucro sobre o valor original, culminando em exclusão da mesma caso a regra não seja obedecida. Tal ação já é considerada cambismo, o que denota crime. Ainda assim, até ofertas fora dos padrões acertados pipocam a toda hora, para qualquer jogo, em valores despadronizados quanto ao acordado na comunidade.

 

Internautas chegam a tirar sarro de valores absurdos, como no print abaixo.

 

Já o site Live World Cup 2014 Tickets, que está bastante popular, inflaciona mais do que a fanpage do Facebook da qual falamos. Todo escrito em inglês, e com números de telefones para cinco países (dentre eles o Brasil, com número citado da capital federal), o domínio relata em seu “About us” que conseguiu os ingressos por “meios secundários” e que os preços listados ali “refletem o grau de dificuldade em obter os mesmos”.

Da primeira fase do torneio, o Live World Cup 2014 Tickets oferece todas as partidas. Dentre elas, um dos jogos que mais chamam a atenção é Bósnia e Herzegovina contra Nigéria, em Cuiabá, no dia 21 de junho. O duelo que é considerado o menos procurado de todo o torneio, tem preços entre R$ 479 e R$ 1.267. Vale lembrar que, no site oficial da Fifa, ainda é possível adquirir os mesmos ingressos pelo valor máximo de R$ 350, com as opções de pagar R$ 180 ou R$ 270 por outros setores do estádio pantaneiro (abaixo, a disponibilidade para a data de hoje do duelo em destaque). Somente o mais barato, de R$ 60, já esgotou. Há possibilidade de meia-entrada, inclusive.

 

O maior abuso, como não poderia deixar de ser, é notado na venda dos ingressos da final da Copa do Mundo, marcada para o dia 13 de julho, no Estádio do Maracanã. A partida que decidirá a 20ª edição do campeonato de seleções já tem ingressos esgotados no site da Fifa, sendo que, por este, podia-se comprá-los pelas estimas de R$ 982 a R$ 2.209 para o torcedor não-brasileiro (vendidos no site da Fifa somente para o público internacional, em Dólar). Porém, o Live World Cup 2014 Tickets os repassava pelos seguintes valores: de R$ 8.407 a R$ 16.569 (até esta matéria ser criada, havia mais de 150 ingressos de diferentes locais do estádio à disposição). 

 

O Iguana Tickets, todo escrito em português e com preços em Real, tem uma quantidade grande de entradas para a Copa. Todos hipervalorizados. Para a abertura, que terá jogo entre Brasil e Croácia, é possível escolher entre todos os setores disponibilizados, sendo que as cifras giram entre os R$ 4.980 até os R$ 15.000. O aumento é maior que 15x o original mais caro, já que a estreia foi vendida de R$ 160 a R$ 990.

Este endereço, porém, não dispõe de ingressos para a finalíssima, mas lá é possível obter tíquetes para todas as fases preliminares à decisão.

Para essas ações, a Fifa já declarou que trabalha ao lado da Polícia Civil para coibir qualquer venda que não da forma oficial. A entidade tenta derrubar páginas e comunidades que propagandeiem estas vendas, e já há relatos de prisões e repressão. Na última semana, as Delegacias do Consumidor (Decon) e de Apoio ao Turista (Deat), que têm agentes destacados somente para o monitoramento da rede, prenderam seis pessoas e apreenderam 32 ingressos.

O Decon atesta que o “cambista eventual”, aquele que não vive da prática, também está cometendo crime ao negociar o produto.

Veja mais casos na galeria acima.

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