O jornal inglês Mirror fez uma reportagem especial sobre as obras para a Copa do Mundo de 2022, que acontece no Catar, divulgada na edição desta segunda-feira (31), fazendo graves denúncias sobre as condições de trabalho dos operários nos canteiros no país. De acordo com a publicação britânica, 1.200 pessoas já morreram serem obrigadas a viver em lugares em condições desumanas.

O periódico ainda destaca que muitos imigrantes que foram para o Catar em buscar de um emprego tiveram seus passaportes apreendidos, sendo assim impedidos de retornarem aos países de origem. Bebendo água salgada diariamente, os trabalhadores estariam sendo mantidos em um esquema de escravidão e sofrendo seguidas agressões.

Segundo o Mirror, organizações que acompanham a situação do país e suas obras para o Mundial de 2022 acreditam que até o término das construções dos estádios há uma grande possibilidade de o número de mortos chegar a quatro mil pessoas.

 “Nós somos tratados como escravos. Não somos vistos como humanos, e nossas mortes não custam nada. Eles têm os nossos passaportes para que não possamos voltar para casa. Estamos presos”, disse um carpinteiro do Nepal, que vive no Catar e pediu para não ser identificado (clique aqui e assista parte da reportagem divulgado no site do Mirror).

Assim como acontece no Brasil, serão 12 estádios na Copa do Mundo do Catar, em 2022. Com isso, de 500 mil a um milhão de trabalhadores podem chegar ao país para trabalhar nas construções .

Receoso com a grande repercussão negativa do país, o chefe do comitê organizador da Copa no Catar, o príncipe Hassan Abdullah Al Thawadi, rebateu as acusações feitas pelo jornal britânico. “Nós não queremos que as pessoas pensem que somos um país mau, porque não somos”, disse.

Operários do Nepal e da Índia são os trabalhadores que mais sofrem nas obras do Catar para a Copa do Mundo de 2022. Segundo o Mirror, há um acampamento no centro de Doha, capital do Catar, onde os funcionários dormem amontoados em uma sala minúscula e infestada de baratas.

Sofrendo uma pressão muito forte para interceder as obras no local após a divulgação do grande número de mortos no Catar, a Fifa, que inicialmente não tomou nenhuma providência, agora irá mandar o advogado alemão Theo Zwanzieger para verificar o que está acontecendo no país a pedido do presidente Joseph Blatter.

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