A polêmica envolvendo jogadores de futebol que defendem seleções de outros países através do processo de naturalização é um dos assuntos mais decorrentes da atualidade no meio esportivo. Os casos de Diego Costa, atacante do Atlético de Madri e a indefinição da Fifa entre Espanha ou Brasil (entenda o caso), e Adnan Januzaj, revelação do Manchester United, e sua dúvida na escolha entre Bélgica, Albânia, Sérvia, Turquia, Inglaterra ou Kosovo, são apenas alguns dentre tantos que já aconteceram ou provavelmente ocorrerão nos próximos anos. E uma dessas situações é a vivida pelo meia belga Andreas Pereira.

Natural de Duffel, na Bélgica, cidade que fica a 35km da divisa com a Holanda, o jovem jogador de 17 anos, filho de brasileiros, optou por renegar a seleção do seu país. Destaque do time Sub-21 do Manchester United, da Inglaterra, onde era companheiro de Januzaj, Andreas descartou defender uma das equipes de maior sensação no cenário europeu nos dias de hoje para manter vivo o sonho de jogar pelo Brasil e pediu, em entrevista ao Virgula Esporte, um rigor maior no processo de naturalização.

“Acho que a naturalização de jogadores deveria ser mais complexa, e que os países deveriam valorizar mais seus proprios atletas. Eu simplesmente nasci na Bélgica. Meus pais são brasileiros assim como toda minha família, por isso meu sonho é jogar na Seleção Brasileira”, disse o meia, que já defendeu os belgas nas seleções Sub-15, Sub-16 e Sub-17, sendo na última um dos destaques das Eliminatórias para a Copa do Mundo.

Filho de Marcos Antonio Pereira, ex-jogador de futebol revelado pela Inter de Limeira e que fez carreira no futebol belga, onde defendeu as cores de Lierse, KV Mechelen, Royal Antwerp, KFC Zwarte Leeuw, Sint-Truiden, Patro Eisden e Lommel United, Andreas começou nas categorias de base do PSV Eindhoven e deixou o futebol holandês em 2012. “Joguei no PSV desde dos 9 anos até os 16 anos de idade e depois fui contratado pelo Manchester United”, disse o jogador, que é especialista em jogadas de bola parada (veja no vídeo abaixo).

Indicado por Alex Ferguson, que o aprovou quando ainda dirigia o Manchester United, após acompanhar algumas partidas do meia pela seleção belga, onde é considerado uma das grandes revelações, Andreas lamenta ainda não ter recebido nenhum convite da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) ou ser lembrado pelo técnico Alexandre Gallo, que atualmente está com a Seleção Brasileira Sub-17 nos Emirados Árabes Unidos, disputando a Copa do Mundo da categoria.

“Infelizmente nunca recebi, mais se um dia eu for convidado, será o maior orgulho defender a Seleção Brasileira”, disse o meia, que adiantou sua negativa em caso de convocação futura para a seleção principal da Bélgica. “Minha resposta seria não, pois ainda tenho sonho de jogar na Seleção Brasileira”, completou Andreas, que possui uma história semelhante a de Thiago Alcântara, filho do ex-jogador Mazinho, que nasceu na Itália, viveu toda sua infância na Espanha e optou por defender à Fúria. 

Questionado sobre suas maiores inspirações no futebol, Andreas citou Cristiano Ronaldo como o melhor da atualidade, mas também lembrou de um brasileiro. “Pra mim ele é o melhor do mundo, o jogador mais completo e ainda está sempre procurando melhorar alguma coisa. Ele é um exemplo dentro e fora de campo. Além do Cristiano, gosto muito do Kaká. É humildade em primeiro lugar,  tem grande aceleração  e é tecnicamente muito bom, espero que ele possa jogar a Copa do Mundo”, disse.

Fã do futebol brasileiro, Andreas é torcedor do Santos e quando pode acompanha alguns jogos do Brasileirão, ao contrário dos seus companheiros de United. “Torço para o melhor time do Brasil, o Santos, claro. Gostaria um dia poder jogar lá”, disse. “Eu acompanho alguns jogos do Campeonato Brasileiro, mas o resto dos jogadores não acompanham”, concluiu.

Veja abaixo algumas jogadas de Andreas pelo Manchester United:

Sem mais artigos