<br> O homem forte da MSI, Kia Joorabchian, foi um dos apontados como principal responsável pela queda do Timão a série B em 2007. No entanto, o ex-parceiro se isenta de responsabilidade. O dirigente falou, em entrevista à <i>Globo Online</i>, que a maior responsabilidade pela queda esteve nos modos arcaicos da administração do ex-presidente Alberto Dualib.

“Eu não imaginava, nem nos piores cenários, que uma tragédia como essa, do rebaixamento, pudesse acontecer. Era uma coisa que para mim parecia impossível. Também não imaginava que tanto trabalho bem feito, tantos investimentos, tantos bons jogadores, tanto amor da torcida, que acabou me contagiando e me transformando num corintiano roxo, pudesse ser desperdiçado por má administração em pouco mais de um ano e meio. Foi um desastre. Sinto o coração partido. Sinto o coração partido por mim, pela torcida, pela atual diretoria, por jogadores abnegados, que tentaram fazer o que podiam. Corinthians é coração”, afirma Kia, que diz que é corintiano.

Para o jornal <i>Folha de S.Paulo</i> desta quarta (5), Kia volta a criticar o modo com o qual o Timão foi administrado após sua saída. “O que fizeram a partir do momento em que deixei o Corinthians foi totalmente contra meus princípios e minhas decisões. Hostilizaram grandes jogadores, criaram um clima horroroso para força-los a sair, contrataram mal, sem condições de recuperar o investimento, já que os atletas não tinham bom mercado internacional. Quanto às revelações, foram rapidamente vendidas”, diz.

<b>Dualib rebate</b>

Também em entrevista ao jornal <i>Folha de S.Paulo</i>, o presidente do Timão se defende das acusações e diz não ter total responsabilidade pela queda do time à série B. Para ele, o time caiu pelo clima criado em cima da situação que o Corinthians vivia. “Além do aspecto técnico, creio que se criou um clima de derrotismo praticamente irreversível contra o Corinthians”, diz “Os jogadores ficaram com mais responsabilidade do que se fossem soldados marchando para uma guerra que ameaçasse a soberania nacional”.

Sobre os culpados, Dualib admite que tenha uma parcela, mas não a totalidade. “Se você quer que eu assuma a minha parcela de culpa, tudo bem. Fui presidente até a 17ª rodada de um total de 38. O Corinthians tinha então 20 pontos ganhos, ocupava o 15° lugar”, se defende. “Quando pedi afastamento, o Corinthians tinha ganho dois dias antes do Goiás. Veja que irônico, do Goiás. Foi minha última partida como presidente. Agora, a partir daí, cada um tem que assumir a sua parte. Certo ou errado, eu não estava lá para decidir mais nada”.

Dualib também negou a história de ter deixado uma “herança maldita” no clube, e defendeu-se com números. “Deixei uma herança de 51 milhões de reais em caixa (30 milhões líquidos do Willian, três milhões do Marcelo Mattos, e 18 milhões do Carlos Alberto). Agora pergunte a Clodomil Orsi, que só foi prestigiado por mim durante anos, e em retribuição, só soube me ignorar quando assumiu a presidência, o que fez com esse dinheiro”, questiona.

Para finalizar, o ex-presidente do Timão se defende dizendo que não enriqueceu enquanto estava no clube, muito pelo contrário. “Até meus inimigos sabem que sempre tive uma situação financeira mais do que confortável. Como minhas contas foram abertas, é fácil conferir. Um ano depois eu fui eleito, em 1994, meu patrimônio pessoal e das empresas beirava os 200 milhões de reais”, afirma. Em 2006, meu patrimônio era pouco mais de 30 milhões”, completa.

As acusações são trocadas. Os ex-mandatários do time não assumem seus erros e tentam jogar a culpa sempre em outras pessoas. Enquanto isso, o torcedor corintiano sofre com a situação do time, que jogará a segunda divisão em 2008.

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