A União Ciclista Internacional (UCI) decidiu nesta segunda-feira (22) banir do esporte pelo resto da vida o americano Lance Armstrong e retirou do atleta seus sete títulos da Volta da França, confirmando assim o relatório da Agência Antidoping dos Estados Unidos (Usada), que o acusou de consumir substâncias proibidas e de fornecer doping para seus companheiros de equipe.

“Confirmo que não haverá apelação no Tribunal de Arbitragem Desportiva e que se reconhece a sanção imposta pela Usada. A UCI proibirá Armstrong de competir e retirará suas sete Voltas da França. Lance Armstrong não tem lugar no ciclismo”, disse em entrevista coletiva o presidente da UCI, Pat McQuaid.

“Este é um dia crucial para o ciclismo, que sofreu muito para absorver o impacto do relatório da Usada”, declarou McQuaid, que acrescentou que sua mensagem aos desportistas, patrocinadores e torcedores é que “o ciclismo tem futuro”.

“Não é a primeira vez que o ciclismo chega a uma encruzilhada e que teve que confrontar seu passado”, disse o presidente da UCI.

A UCI aprovou o relatório de 1.000 páginas publicado no início deste mês pela Usada, que contém centenas de testemunhos sobre as práticas ilegais de Armstrong e o ambiente ao seu redor, incluídos 11 ex-companheiros do atleta.

“As provas demonstram que a equipe US Postal organizou o programa de doping mais elaborado, profissional e bem-sucedido jamais visto no esporte”, segundo o diretor-executivo da Usada, Travis Tygart.

“Lance Armstrong não só utilizou substâncias para melhorar seu rendimento. Como as forneceu para seus companheiros de equipe”, afirmou Tygart.

Armstrong negou as acusações e lembrou que passou por centenas de controles de doping. O atleta, no entanto, decidiu não apelar judicialmente da Usada argumentando que o processo estava o prejudicando pessoalmente.

A Volta da França estava à espera desta decisão da UCI para decidir se retira ou não os sete títulos consecutivos conquistados por Armstrong, entre 1999 a 2005.

O diretor da prova mais tradicional do circuito internacional, Christian Prudhomme, disse recentemente que se Armstrong perdesse os títulos não designaria outros sete ganhadores oficiais.

A Usada defendeu que os sete títulos ficassem em aberto e denunciou que 20 dos 21 ciclistas que subiram ao pódio da prova nesses sete anos estavam diretamente vinculados ao escândalo do doping.

Armstrong reapareceu em público na sexta-feira, em Austin (Texas), cidade onde mora, pela primeira vez desde a publicação do relatório da Usada, e não mencionou as acusações, embora tenha dito que as últimas duas semanas foram difíceis para ele.

Armstrong falou diante de mais de 1.500 pessoas que assistiram a um evento para apoiar sua fundação que luta contra o câncer, a Livestrong, fundada por ele em 1997 após sofrer e superar esta doença. O ciclista renunciou da presidência da instituição.

“Não quero que pela presença da minha pessoa se coloque em segundo plano os verdadeiros objetivos que têm nossa fundação e que não são outros do que seguir ajudando todas as pessoas que sofrem de câncer”, disse Armstrong em seu comunicado de renúncia.

O atleta também não comentou em Austin a decisão da Nike de suspender seu contrato, denunciando a frustração de ter sido enganada por Armstrong durante mais de uma década.

UCI bane Armstrong do esporte e retira seus títulos da Volta da França

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