Yes, nós temos Bossa Nova! Yes, nós temos Gisele Bündchen! Mas nada até hoje superou para os estrangeiros a visão do Brasil produzida pela imagem de Carmen Miranda. Com seus balangandãs, seus turbantes, o requebrado e a felicidade, a pequena notável firmou para todo o mundo a imagem de um país exuberante, sensual, alegre, promissor. Claro que esse esteriótipo desagradou muitos brasileiros, que a rotularam de americanizada. Famosa é a cena de silêncio e reprovação da platéia carioca, em julho de 1940, quando Carmen volta ao Brasil, depois de ter estourado nos Estados Unidos, para se apresentar no Cassino da Urca. Mas exatamente há 55 anos atrás, no dia 05 de agosto, quando Carmen faleceu, o país inteiro chorou e o Rio de Janeiro cantou em coro um de seus sucessos, Adeus Batucada. Mais de 60 mil pessoas compareceram ao seu velório.

Mas a imagem de Carmen não morreu. Ela está nas declarações de um dos maiores pensadores do século 20, o filósofo austríaco Wittgenstein que descrevia os filmes de Carmen como “duchas que ele gostava de tomar depois de ensinar filosofia”. Sua imagem também está no elogio do poeta Vinícius de Moraes que comentava que ela “tinha a essência da verve de uma artista“. E nem precisa mencionar que sem Carmen não teríamos nem Tropicália nem Cinema Marginal, no final dos anos 1960. 

Veja as cenas dela passando mal durante o Jimmy Durante Show. Um dia depois iria falecer e comover todo um país:

Oração Yes, Nós Temos Carmen Miranda

Bendita Carmen, dos turbantes maravilhosos, explosivos de frutas e bananas porque boba ela nunca foi, seu negócio é bananas.
Deu uma banana pros babacas que disseram que ela voltou americanizada
Deu outra banana pra esquerda ranzinza que a culpava de colonizada.
Deu bananas pra dar e vender

Bendita Carmen que fez o top designer de calçados Salvatore Ferragamo criar os famosos sapatos plataformas que é um dos preferidos das brasileiras até hoje.
Fez todos saberem que a baiana tem pano da Costa, saia engomada, tem!
Fez todos aprenderem que a velô da dicção das texanas de hoje – oi Beyoncé! – é filial natural de sua passagem pela América.
Fez e aconteceu

Bendita Carmen do pudor da barriga desnuda, da austeridade do brilho que reluz, das generosas fendas privadas de seus vestidos, dos olhinhos que giram em pleno orgasmo a cantar.
Visão de um Brasil que tem medo de se re-conhecer!

Bendita Carmen, quero pra sempre ter essas imagens sagradas no meu santuário Brasil,
Amém Carmen

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