Não existiria a raiva do Rage Against the Machine, ou a depressão do Joy Division, ou mesmo a cadência desolada de Cartola se não tivesse surgido na música um compositor de primeira ordem, Ludwig van Beethoven. O músico alemão, que completaria 240 anos nesta quinta-feira (16), é a síntese da transição, na música, do classiscismo para o romantismo, aquela que a subjetividade invadiu os acordes, a expressão individual ganhou a primeira voz e as notas deram staccatos a cada emoção pessoal.

Se a música do período clássico -, que teve seus maiores expoentes em Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791),  Franz Joseph Haydn (1732-1809) e no próprio Beethoven – procurava a razão, a matemática, a ordem universal, o conjunto, o romantismo iniciado pelo gênio alemão, era tempestade e impetuosidade, o indivíduo pela primeira vez se manifesta em suas aflições e alegrias nas formas sonatas e sinfônica.

Politizado, Beethoven viu na ascenção de Napoleão Bonaparte, como a mudança de um mundo que as classes sociais não se moviam, agora, os menos favorecidos poderiam chegar ao poder. Cheio de esperança, compôs uma revolução chamada Sinfonia n.º 3 em mi bemol maior (Op. 55) que deu primeiramente o título de Bonaparte. Em 1804, ele apresenta a obra em uma sessão privada para o príncipe Lobkowitz com a presença de seu antigo mestre Haydn. O espanto foi geral, nunca tanta subjetividade e individualidade tinha pautado a música do Ocidente. No final, Haydn declarou que a obra parecia muito barulhenta e confusa, mas que havia algo de novo ali.

No mesmo ano, Napoleão se consagra Imperador, Beethoven desiludido risca o nome Bonaparte de sua sinfonia e coloca Eroica. O eu chega à música.

Beethoven, o músico que trouxe a subjetividade para a música, completaria 240 anos

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