Realidade e ficção estão cada vez mais embaralhadas nos dias de hoje. É também um fator de nossos tempos contemporâneos, a questão da individualidade e o beijo é um ato individual por excelência, ele se dirige, em geral, a uma pessoa (beijos coletivos e além do feito entre dois indivíduos são mais exceções do que regra).

O ato de beijar, em geral (novamente!) significa afeto, carinho, apreço ou mesmo pode designar respeito. Mas na nossa cultura ocidental, ele também está veiculado à traição e dissimulação, já que foi o beijo de Judas que entregou Jesus Cristo aos soldados romanos.

É interessante que este beijo que marca, de certa forma, uma das concepções vitais do Cristianismo (sem ele, Cristo não teria sido torturado e morto), traga um significado tão funesto e contrário à ideia de beijo para esta mesma cultura ocidental.

Em geral (mais uma vez!), o beijo é associado como o selo de uma relação amorosa, do afago e do possível início da relação sexual. Ele é a conjunção de uma dupla que nem sempre está junta: sexo e amor. Entretanto, quando estão unidas, acontecem, ou se iniciam, pelo beijo.

Voltando ao que chamamos de realidade, não há provas históricas que aconteceu o beijo de Judas, apesar de provas recentes sobre a existência de Jesus Cristo. Mas isto não importa, ele se afirmou como verdade. Assim como o beijo dos amantes de Assim Caminha a Humanidade, apesar de ficção, se consagrou como real e escandaloso. No filme, a personagem de Debora Kerr era casada e beijava o amante interpretado pro Burt Lancaster. Era ficção, mas todos tomaram como realidade, o beijo da traição (diferente da de Judas) nas telas de cinema era real demais.

Tudo isto (este embaralhamento entre ficção e realidade) fica mais salientado no beijo porque ele mesmo é um gesto/ato que está na fronteira entre o real e o lúdico (e o lúdico é a base da fantasia e da ficção).

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