Na última vez que esteve no Brasil, em 2011, Catherine Deneuve, como boa francesa, resolveu acender um cigarro em um ambiente fechado. Foi o que bastou para este ser o assunto e não mais o filme que ela tinha vindo divulgar. Com atitude, a atriz disse de forma ríspida e direta dando um basta na falsa polêmica: “Se soubesse, não teria fumado. Estou aqui para falar de Potiche (filme francês) e não para parecer uma fumante compulsiva. Sou absolutamente contra o politicamente correto. Fiz uma viagem longuíssima para falar do filme e o que vai ficar é ‘ih, ela fumou’. Francamente!”.

São suas posições firmes que a fazem ser uma personalidade interessante de entrevistar. Nega que tenha feito plástica ou que um dia fará intervenções cirúrgicas: “Acho lamentável o culto à beleza e à juventude, porque é muito limitador. Nos EUA, isso é muito forte, mas na Europa o envelhecimento é mais bem aceito”.  Ela mesmo sempre foi um ícone de beleza, mas não se subjugou a ela. Entendia como a beleza poderia agir a seu favor como mulher independente. Até porque conviveu e foi uma das melhores amigas do estilista Yves Saint-Laurent que revolucionou a moda, propondo o smoking, traje masculino, para mulheres, pois as queria com o poder que até então era dos homens.

É ainda hoje uma atriz idolatrada, mas rejeita o adjetivo de mito. “Acho que diva é um termo um pouco pejorativo, porque está associado aos excessos da fama. Em minha opinião, uma atriz não pode ser diva, nós temos que nos focar no trabalho. O que está faltando no cinema atual é justamente o mistério. As pessoas querem saber o que os artistas estão fazendo o tempo todo, e isso não é importante para a arte. Quando vou ao cinema, quero ver os atores em cena, não quero saber se, na vida particular, eles vão ao mercado ou levam os filhos na escola”, disse certa vez uma entrevista para uma revista francesa.

Ao completar 70 nesta terça-feira, a atriz continua necessária em um mundo cada vez mais conservador. Seus filmes transgressores como Repulsa ao Sexo, A Bela da Tarde ou Dançando no Escuro são um alento ao conservadorismo atual, assim como suas posições sobre as mulheres, arte e política. Longa vida para Deneuve, a bela entre as belas!

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