Basílica de Aparecida, São Paulo, quarta-feira (17), 14h34. Coral, orquestra, figurantes e peregrinos que acabaram sendo convidados para a gravação da última cena do Eu Sou Renato Aragão – Especial Didi 50 Anos se levantam mais uma vez ao comando da voz da diretora Teresa Lampreia. “Não imaginava que demorava tanto, mas meu falecido marido amava o Didi, então é uma forma de homenageá-lo também”, diz Maria da Graça, 60, que veio a convite de uma amiga que faz parte do coral. Gabriel Dias Caccia, 5 anos, veio de Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, com os pais para conhecer a cidade e acabaram ficando pra gravação. “Ele [Didi] é muito engraçadinho”, diz o garoto, que logo critica o dublê de Didi, “esse anda muito lentinho”. Por esses depoimentos dá pra perceber a extensão e as gerações que se apaixonaram pelo personagem criado por Renato Aragão, o Didi Mocó. Mais uma outra vez, eles se levantam, abre a porta, entra o dublê. Todos estão ansiosos para ver o comediante cearense e sua reação, pois ele não sabe que seus familiares estão no altar lhe esperando. Toda essa mis-en-scène faz parte do projeto que conta a trajetória do humorista e será exibido no dia 22 de dezembro, com coordenação de Jayme Monjardim.

“Aqui é o início e o fim do especial, durante a caminhada dele até o altar será contada a vida de Renato. Vão ter partes dramatizadas e três atores interpretam Renato, um deles é o Vinicius de Oliveira“, revela Jayme. A escolha da Basílica é significativa, o humorista, em 1999, peregrinou de São Paulo até Aparecida do Norte por mais de 150 km.

Em um dos intervalos, a mulher de Renato, Lílian Aragão, fala com exclusividade ao Virgula e conta que foi uma operação de guerra esconder do Renato que seus familaires estariam presentes na Basílica. “Disse que ia pra fazenda e desliguei o celular, ele deve estar tentando me ligar”, disse. Pergunto se ele não vê a família faz tempo e ela responde que eles “costumam se reunir frequentemente no Ceará [terra natal de Renato Aragão]”. E ainda revela: “Acho que o humor do Renato é genético, todo mundo da família dele é engraçado!”.

Basílica de Aparecida, São Paulo, quarta-feira (17), 15h23. Coral, orquestra, figurantes, peregrinos e familiares aguardam ansiosos a entrada de Renato Aragão. Instrumentos e vozes entoam Romaria de Renato Teixeira, e o humorista – ao ver os familiares e os fãs – cai em lágrimas. Sua filha Lívian o ajuda a chegar ao altar. Ele está emocionado. As pessoas aplaudem. Aquele que sempre nos fez rir agora chora.

O comediante ouve as palavras do padre, agradece e logo depois já está abraçando seus fãs. Renato Aragão, como já disse Euclides da Cunha sobre o sertanejo, é um forte. Veio do Ceará passar um tempo no chamado “Sul maravilha”, tentar a sorte. Essa mesma sorte que o acompanhou quando sofreu um acidente de avião e foi um dos poucos sobreviventes, como revelou Jayme Monjardim.

Ele se considera discípulo de Oscarito, e assistiu a seus filmes diversas vezes. E sobre seu personagem mais famoso, Didi Mocó, ele garante: “Ele é o meu amigo que faz aquelas coisas que eu nunca teria coragem de fazer, porque sou tímido”. E não deixa de se lembrar de seus companheiros de Trapalhões: Dedé, Mussum e Zacarias. “Tenho saudades dos meus companheiros. Foi embora um, foi embora outro… Eles não foram, eles estão juntos comigo”.

E os projetos para 2011? “Começar tudo de novo…” Nesse sentido, Renato representa e tem muito do melhor do povo brasileiro: humor e força! Ô, da poltrona, bora saudar Didi.

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