Nesta sexta-feira (24), Fábio Assunção esteve no centro de uma coletiva sobre a peça que ele resolveu produzir e dirigir, O Expresso do Pôr do Sol. Ao lado dos atores Guilherme SantAnna e Cacá Amaral, do diretor de arte e figurino Fabio Namatame, o iluminador Caetano Vilela, no palco do Tucarena, em São Paulo, o ator agora diretor disse que fez mudanças importantes no original de Cormac McCarthy. Assunção diminuiu o original de 2h e meia para 75 minutos, deixou a pegada naturalista de lado e partiu para uma encenação sem o realismo tão colado ao texto.

A história é em torno de White, um ateu que tenta o suicídio e é impedido por Black, um ex-presidiário evangélico. É uma discussão entre morte e vida, sobre luz e trevas e também sobre religião.

“A religião é o terceiro eixo da relação com esta história [morte e vida, luz e trevas são os outros]. A religião é maniqueísta e eles são dois personagens opostos e fundamentalistas, mas também temos a religião como aquela que não sofre corrosão”, diz Assunção que admite com o elenco que não pensou, na hora de escolher a peça, no papel que atualmente  religião está tomando na esfera política do país. “A religiosidade é algo universal e desde sempre esteve presente na história do homem”.

Mesmo assim assume que nunca leu o livro sagrado para os cristãos, mas logo depois se corrige: “Só li o Livro de Jó e alguns trechos da Bíblia”.

Como o assunto religião no ar, o ator Cacá Amaral disse que no caso da tentativa de suicídio de seu personagem White, ele acredita no livre-arbítrio. “Todos têm o direito de cometer suicídio. Eu sou a favor da vida, mas compreendo as razões que levam uma pessoa a querer se matar”.

Com uma declaração forte por parte do ator em um mundo atualmente todo cheio de expressões medianas e agradáveis, Assunção tentou evitar qualquer mal-entendido: “Não estamos dizendo: ‘sinta-se à vontade para se matar’, muito ao contrário”.

A peça estreia no dia 02 de setembro,

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