“Aqui não tem Chanel”, brincava o projeto Que Fim Levou Robin? No começo dos anos 90. Não tinha, agora tem. A marca é símbolo até hoje de vanguarda, status e arrojo, tudo o que o Brasil acreditava que não era na época e que atualmente luta desesperadamente para ser. Como uma marca que começou em 1910 como uma loja de chapéus e, depois, em 1913, começou a vender roupas, isto é, com mais de 100 anos, consegue ainda ser símbolo de modernidade? A resposta está em sua criadora: Gabrielle Coco Chanel, que morreu no dia 10 de janeiro, há exatos 43 anos.

Coquete, como se dizia na época, ela logo soube escolher bem os amantes e se infiltrar no círculo da alta sociedade francesa. Sua percepção de direitos iguais, que nasciam simultaneamente com as primeiras manifestações feministas, a fez pensar em uma roupa prática para as mulheres, sem a tortura dos espartilhos ou os muitos adereços que enfeitavam as vestimentas femininas.

Invadiu o guarda-roupa masculino e de lá tirou grandes ideias como o corte que ficou conhecido pelo seu nome, a limpeza das formas e a praticidade. “Eu dei às mulheres braços de verdade, pernas, movimentos autênticos e a capacidade de rir e de comer sem se sentir mal por isso”, dizia Coco. Com o sucesso de suas criações, ela se tornou amiga da nata artística e intelectual da Paris dos anos 1910 e 1920.

Pablo PicassoIgor Stravinsky frequentaram sua casa e foi da arte abstracionista que chocava a capital francesa na época que Coco teve a ideia de fazer seu perfume mais conhecido: o Chanel n° 5. Os perfumes até então buscavam fragrâncias que lembravam cheiros da natureza, a estilista então resolveu achar um aroma totalmente abstrata, que não tivesse relação com nenhum cheiro conhecido.

Nos anos 30, a estilista já era um mito, mas veio a Segunda Guerra e a invasão nazista em Paris.  E aí começa um capítulo polêmico de sua vida. Biografias dizem que foi espiã nazista, mas o que sabe é que foi amante de um oficial nazista. Com a derrota de Hitler, ela, com ajuda de Winston Churchill (sempre bem relacionada), se exila na Suiça.

Em 1954, ela faz seu retorno à moda parisiense, mas é recebida, em um primeiro momento, de forma fria, o público aprece não se esquecer de sua ligação com os nazistas. São as americanas, que Chanel tanto as desprezava na década de 20, que recolocam a estilista sob os holofotes.

Marilyn Monroe afirma que só dorme vestida com algumas gotas de Chanel nº 5 e Jacqueline Kennedy, ícone fashion de sua geração, é vista em diversos momentos com o tweed de quatro bolsos, um símbolo do retorno da estilista. Com isto, Chanel consegue continuar como símbolo de status e modernidade. E consegue se manter assim mesmo depois de sua morte.

Agora, aqui tem Chanel!

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