Katherine Heigl, conhecida por seu papel de Izzie Stevens na série “Grey’s Anatomy”, foi ao Instagram para desabafar sobre a morte de George Floyd, homem negro assassinado por um policial branco em Minneapolis, nos Estados Unidos.

Muitas celebridades se pronunciaram sobre o caso que mobilizou a comunidade negra e gerou inúmeros protestos pelo país. Mas o evento abalou Heigl a nível pessoal porque a atriz é mãe de uma menina negra, Adalaide. “Como vou explicar [a ela] o inexplicável?”, escreveu angustiada.

Heigl contou no posto que refletiu bastante antes de publicar sua opinião, pois normalmente se mantém em silêncio, age “nos bastidores” e deixa “aqueles com mais experiência, educação e eloquência serem as vozes da mudança”. No entanto, desta vez, ela compartilhou que não conseguiu mais dormir.

“Não consigo dormir. E quando consigo, acordo com apenas um pensamento em mente. Como contarei a Adalaide? Como vou explicar [a ela] o inexplicável? Como irei protegê-la? Como posso quebrar um pedaço de seu lindo e divino espírito ao contar?”, indagou a atriz.

Ela afirmou que chora por “todas as mães de uma linda e divina criança negra” que precisam quebrar a inocência dos filhos a fim de protegê-los “em um país que dorme profundamente”. Sua “bolha branca” estourou e “começa a sangrar” porque ela tem uma filha negra e uma coreana. “Porque eu tenho uma irmã coreana, sobrinhos e sobrinhas”.

Heigl e o marido Josh Kelley adotaram Adalaide, de 8 anos, em 2012. Eles também são pais de Naleigh, 11, adotada na Coreia do Sul em 2009, e Joshua, 3. A irmã da atriz, Meg Heigl, também tem origem coreana.

Katherine Heigl com os filhos Adalaide, Joshua e Naleigh

“Demorou muito tempo para eu realmente internalizar a realidade repugnante, maligna, verdadeiramente desprezível do racismo. Minha branquitude me mantinha longe disso. Minha educação sobre inclusividade, amor e compaixão parecia normal. Pensava que a maioria sentia o mesmo. Não conseguia imaginar um cérebro que visse a cor da pele como algo além do que só uma cor. Eu era ingênua. Eu era infantil. Eu não enxergava aqueles que tratavam minha própria irmã diferentemente por causa do formato de seus lindos alhos amendoados”, desabafou.

Da esquerda para a direita: Nancy Heigl (mãe da atriz), Katherine e Meg (irmã da atriz)

No longo texto, Heigl afirmou que ficou por muito tempo adormecida em relação às questões raciais, mas que agora “chora”, “porque o que deveria já ter mudado hoje em dia, há tempos, ainda existe”, referindo-se ao racismo.

“Temo que não há nada que eu possa fazer, [é] como um veneno que age lentamente, espalhando-se por mim. Então olho para minhas filhas. Minha irmã. Meus sobrinhos. Floyd. Ahmaud Arbery. Breonna Taylor. Centenas, milhares de pessoas que nem nunca ouvimos falar. Olho e o medo se transforma. A tristeza esquenta e então explode em chamas de raiva”, apontou no final do post.

O texto foi dividido em duas publicações. Na segunda parte, a atriz se mostra irada com racistas e pede por duras punições, principalmente a Derek Chauvin, ex-policial que se ajoelhou sobre o pescoço de George Floyd e responde pelo assassinato da vítima.

“Raiva. Não sei o que a maioria acreditar ser a justiça, mas para mim, atualmente, é algo duro, uma vida ruim na prisão para o policial Chauvin e aqueles que ficaram parados [no dia do crime]. Em seus celulares. Quero que eles paguem. Eu quero que a punição seja severa […] Que essas consequências assustem cada racista ainda se apegando a esse ódio de uma mente pequena e estúpida”, desejou.

“Talvez em alguma época eu me importasse de tentar mudar a cabeça de um racista. Mostrar através do exemplo e das palavras certas que estão errados. Eu não ligo mais. Para seus corações ou mentes. Eu não ligo se morrerem com sua feiura estampada”, revelou. “O que eu quero é que eles fiquem tão assustados com as consequências enfrentadas pelo policial Chauvin que tenham medo de respirar em direção a um homem, mulher ou criança negros. Quem dirá machucá-los… Quero que ele [o oficial] seja um exemplo do que acontece com racistas neste país”, vociferou.

Ao questionar se esses pensamentos eram cristãos, a atriz relembrou algumas passagens da bíblia e concluiu: “talvez raiva faça parte do divino. Talvez os céus queiram nossa raiva agora. Talvez nossa raiva reflita a deles. Tudo que sei é que quero que isso acabe. Hoje. Para sempre. Custe o que custar”, finalizou, sendo aclamada por muitos seguidores nos comentários.

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