”Maisa, quando você crescer vai perder a graça e deixar de ser apresentadora”, disse de forma perversa e – quem sabe – verdadeira Silvio Santos para a pequena Maisa Silva no momento que entregava para a pequena o Troféu imprensa de Revelação, em 2009. A maldade contida na língua afiada do apresentador vem da visão de uma tradição de crianças que ficaram muito famosas e quando entraram na fase adulta não conseguiram repetir o mesmo sucesso.

Se por um lado o estrelato mirim pode trazer – entre outras coisas – a melhora do padrão de vida de seus familiares (muitas crianças famosas colocaram suas famílias em uma situação econômica melhor), ele também pode trazer um preço muito alto para a vida psicológica e familiar dessas mini celebridades.

A atriz americana Shirley Temple foi a precursora  – nos anos 30 e 40 – do culto à imagem das crianças na tv e no cinema. Mas conforme foi crescendo, foi perdendo a popularidade até abandonar a carreira de atriz e se dedicar à política. 

Menos sorte – na passagem da infância de sucesso para a adolescência – teve Drew Barrymore. A atriz já era um sucesso devido ao filme E.T. (direção de Steven Spielberg), aos 7 anos. Mas a pressão do estrelato fez com que aos 9 já fumasse cigarro, enchesse a cara aos 11 anos, experimentasse maconha aos 12 e cocaína aos 13. Até que aos 14 anos, Drew  tenta suicídio e entra numa clínica de reabilitação. Hoje, ela é uma atriz e produtora bem sucedida de Hollywood. 

Macaulay Culkin tenta seguir o mesmo exemplo. Do estrondoso sucesso dos filmes da série Esqueceram de Mim (direção de Chris Columbus), o astro mirim teve problemas com a família, os pais queriam – cada um – gerenciar sua fortuna. Tenta, desde o filme Party Monster (direção de Randy Barbato e Fenton Bailey), o reconhecimenro como ator adulto 

No Brasil, temos o caso de Simony, que teve uma infância de celebridade como apresentadora do programa infantil Balão Mágico e hoje está que quase total esquecimento. E de Rafael Ilha, que fez grander sucesso com o grupo Polegar, já na fase adulta foi preso duas vezes, se tornou dependente químico e acabou em uma clínica de reabilitação. Hoje é repórter da Rede TV!

O caso dessas crianças famosas – muito mais do que fraquezas pessoais ou familiares – é o resultado extremo da cultura de celebridades que não poupa ninguém. Em um adulto, o efeito de ser descartável pode ser desastroso, imaginem em uma criança que está com seu estado psicológico em formação! Por isso, por mais estranho que pareça, essas crianças famosas – de Temple a Rafael – são acima de tudo adultos vitoriosos, pois permaneceram vivos após o massacre da “fábrica de sucessos”.

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