Ziraldo, que completa 81 anos nesta quinta-feira (24), fez o Menino Maluquinho e muito mais. Além de sua criação mais célebre, em 1980, o cartunista fez diversos trabalhos não menos importantes, como a criação do Pasquim, que fazia piada sem se esquecer de política no momento menos propício para isso, durante a Ditadura Militar.

O seu traço irreverente e característico deu vida a vários personagens infantis, mas também ilustrou muitos cartuns adultos. Ziraldo fez uma série de cartazes para cinema e teatro, e já teve seus desenhos inseridos em várias revistas estrangeiras, incluindo publicações voltadas para o público adulto masculino.

Em recente viagem à Alemanha, onde participou da Feira do Livro de Frankfurt, no início de outubro, o cartunista passou mal e foi hospitalizado. Na sexta (11) ele passou por um cateterismo e colocou dois stents (tubos colocados dentro de artérias para desobstruí-las). Em entrevista à Folha de S. Paulo, Ziraldo fez piada com o acontecido: “Isso foi um truque para chamar a atenção, pra todo mundo ficar sabendo que eu estou em Frankfurt”.

O Virgula Famosos AMA Ziraldo. E para comemorar os 81 anos do pai do Menino Maluquinho, criamos uma lista com onze curiosidades sobre o cartunista.

1 – Ziraldo chama-se mesmo Ziraldo. Seu nome vem da combinação dos nomes de sua mãe, Zizinha com o de seu pai Geraldo. Simples assim.

2 – Cartunista desde pequeno, Ziraldo foi o primeiro brasileiro a lançar uma revista em quadrinhos feita por um autor só, em 1960. Intitulada Turma do Pererê, foi também a primeira publicação brasileira totalmente a cores.

3 – Em 1969, ele recebeu o prêmio Nobel Internacional do Humor no 32º Salão Internacional de Caricaturas de Bruxelas.

4 – Ele é um dos criadores da Banda de Ipanema, um dos mais conhecidos blocos de carnaval do Rio de Janeiro.

5 – “Precisava desenhar um maluco criança, ou seja, Napoleão feito menino. Olha só a mãozinha direita dele dentro do paletozão azul”. Assim nasceu, em 1980, o Menino Maluquinho, seu mais famoso personagem, que virou filme e um doodle do Google, em 2010.

6 – Ziraldo foi um dos fundadores do jornal O Pasquim, em 1969. Criado por jornalistas e cartunistas de peso, entre eles Jaguar, Millôr e Ivan Lessa; a publicação renovou a linguagem jornalística, apostando no humor sem deixar de lado a política. Em novembro de 1970, a redação inteira foi presa depois da publicação de uma sátira do célebre quadro de Dom Pedro às margens do Ipiranga.

7 – Pelo seu ativismo político, Ziraldo foi preso no regime militar. Em 2008, o cartunista recebeu uma das maiores indenizações da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça (R$ 1 milhão, mais pensão vitalícia de R$ 4.375,88). “Eu quero que morra quem está me criticando. Porque é tudo cagão e não botou o dedo na seringa. Enquanto eu estava xingando o (João) Figueiredo (ex-presidente do Brasil, último do Regime Militar e governou o país de 1979 a 1985) e fazendo charge contra todo mundo, eles estavam servindo à ditadura e tomando cafezinho com o Golbery (do Couto e Silva, ministro de diversos presidentes militares durante a ditadura). Então, qualquer crítica que se fizer em relação ao que está acontecendo conosco, eu estou me lixando”, disse ele na época.

8 – Ele já fez vários cartazes para cinema, teatro, shows, eventos, peças publicitárias e campanhas educacionais e políticas. Em 2009, foi lançado o livro Ziraldo em Cartaz, que reúne cerca de 300 ilustrações para peças feitas por Ziraldo.

9 – O cartunista chegou a fazer desenhos para revistas masculinas destinadas ao público adulto como Penthouse (Estados Unidos) e Plexus (França).

10 – Em 1999, em uma tentativa de reproduzir o sucesso de O Pasquim, Ziraldo e seus comparsas lançam Bundas. O nome tira sarro das revistas de fofocas e, entre seus lemas, constavam: “Quem mostra a bunda em Caras não mostra a cara em Bundas”, “A revista que é a cara do Brasil” e “Bundas, a revista que não tem vergonha de mostrar a cara”.

11 – Ziraldo é pai de Antonio Alves Pinto, Fabrizia Pinto e Daniela Alves Pinto. O filho é um compositor que já fez trilhas sonoras para filmes como Central do Brasil, Cidade de Deus, e Collateral. Fabrizia é diretora (a maioria de seus trabalhos são peças comerciais) e dirigiu ao lado de Fernando Meirelles, O Menino Maluquinho 2: A Aventura. Daniela é mais conhecida como Daniela Thomas, sobrenome advindo de seu ex-marido Gerald Thomas. Ela já fez cenografia para Samuel Beckett e co-dirigiu filmes com Walter Salles, como Terra Estrangeira e Linha de Passe.

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