A novela Império tem dado o que falar nas redes sociais por conta de seus personagens gays e do especulado, e não mais novidade, beijo gay. Erom Cordeiro, de 37 anos, vive o advogado Fernando, namorado de Cristina (Leandra Leal), que não é homossexual. Entretanto, há nove anos atrás, o ator encarnou um personagem gay na novela América, de 2005, e protagonizou o primeiro beijo gay, que nunca foi ao ar. Segundo ele mesmo afirmou, o veto acabou fazendo avançar a questão contra o preconceito e, se hoje, a trama de Aguinaldo Silva poderá ter uma cena caliente entre dois homens, ela se deve ao casal gay formado pelos personagens de Erom e Bruno Gagliasso, no folhetim de Glória Perez.

Em entrevista exclusiva ao Virgula Famosos, o ator lembrou da cena censurada, falou de seu personagem em Império e de sua carreira.

Veja abaixo a entrevista exclusiva.

Virgula Famosos – Como você se preparou para o personagem?

Erom Cordeiro Eu fui umas duas vezes ao centro do Rio de Janeiro para observar aquelas figuras que circulam pelo Fórum, principalmente os advogados mais jovens, que é o perfil do meu personagem.

Você protagonizou o primeiro beijo gay das telenovelas da TV Globo, que nunca foi exibido, em 2005, na novela América. Como foi isso?

Havia uma expectativa muita grande em relação ao desfecho. A gente gravou a cena e imaginou que, como ela estava gravada, iria ao ar, mas quando o capítulo foi ao ar, a gente viu que tinha sido cortado, sem aviso. No entanto, de qualquer forma, mesmo sem o beijo ser exibido, aquilo serviu para gerar uma discussão sobre o tema.

O que você achou do primeiro beijo gay exibido pela TV Globo, na novela Amor à Vida?

Acho que a forma com que o Walcyr Carrasco (autor de Amor à Vida) escreveu a cena do beijo entre os personagens de Mateus Solano e Thiago Fragoso foi muito boa. Todo tema polêmico precisa de um tempo de preparação do terreno.

Apesar da novela das 21h ser uma das atrações de maior audiência da TV, ela vem perdendo público. Na sua opinião, que rumo a teledramaturgia deve tomar?

Cada vez mais, o público tem outras alternativas de acompanhar a novela, muita gente tem assistido às novelas por meio de sites. A audiência nunca será como foi nos anos 80, a audiência cada vez mais será estratificada. No entanto, é inegável a força que a novela tem, ela ainda abrange muita gente. Eu acho que o interesse à novela ainda continua.

Quando você decidiu ser ator, como imaginava sua carreira?

Sempre imaginei que meu caminho seria uma estrada longa e que não seria fácil. Eu acredito muito que é uma profissão que é uma prática diária e que é benéfica para idade. Quanto mais velho você fica, mais interessante fica.

Ao mesmo tempo, os papéis para atores mais velhos são mais escassos…

Você, como artista, não pode ficar dependendo dos outros para te chamar para trabalhar. Eu acho que o ator precisa desenvolver projetos próprios, uma peça que queira fazer, um personagem que te interessa, independente do mercado de trabalho te chamar ou não, você tem que criar alternativas.

Falando em personagens, qual personagem clássico você gostaria de fazer?

Ah, vários. Eu sou de Maceió, tenho vontade de fazer algo do Graciliano Ramos, que eu acho um grande autor brasileiro, ele tem um calor e, ao mesmo tempo, algo que me lembra Dostoiévski (Fiódor Dostoiévski, escritor russo autor de clássicos da literatura como Crime e Castigo e O Idiota).

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