O médico que atendeu Michael Schumacher no acidente de moto que o ex-piloto alemão sofreu em 2009 em Cartagena, na Espanha, afirma que o lado direito do cérebro do heptacampeão mundial de Fórmula 1 sofreu dano naquela ocasião e que suas sequelas afetam o conjunto da irrigação cerebral.

“A artéria esquerda se rompeu. E só há duas artérias, que se encarregam da irrigação do cerebelo”, disse o médico Johannes Peil, diretor da clínica esportiva de Bad Nauheim, em entrevista publicada neste sábado (04) pelo jornal alemão Bild.

Peil, que visitou Schumacher no hospital em Grenoble, na França, onde ele está internado desde o último domingo (29), atendeu em fevereiro de 2009 o ex-piloto após o acidente sofrido em uma pista de provas onde praticava motociclismo.

Até a grave queda ocorrida enquanto Schumacher esquiava nos Alpes franceses, esse havia sido o acidente de consequências mais graves para o ex-piloto alemão.

O cerebelo dirige a motricidade, lembrou o jornal, sobretudo no que se refere à capacidade de reação.

O médico considera, no entanto, que as sequelas da lesão de 2009 não afetam as possibilidades de recuperação de Schumacher após o acidente do último domingo.

Schumacher está em coma induzido e passou por cirurgias para a retirada de edemas cerebrais.

A equipe médica que o atende em Grenoble anunciou que não divulgará novos boletins sobre o estado de saúde do ex-piloto enquanto não houver evoluções relevantes.

Kubica: “Cruzo os dedos por sua recuperação”

O piloto polonês Robert Kubica, que sofreu um grave acidente em uma prova de rali em 2011, desejou uma rápida recuperação ao ex-piloto alemão Michael Schumacher.

Kubica se viu em uma situação similar em fevereiro de 2011, após sofrer um acidente em no rali “Ronde di Andora”, na Itália. O polonês, que na época era piloto da equipe Renault-Lotus na Fórmula 1, sofreu múltiplas fraturas e correu risco de morte. Desde então, não pôde retornar à principal categoria do automobilismo.

“Estive em uma situação similar”, lembra Kubica. “Para o mundo do esporte, (o acidente de Schumacher) não é a melhor maneira de fechar o ano. São más notícias que mostram que qualquer coisa pode acontecer a cada dia em qualquer lugar”, disse.

“Quando sofri a batida no rali”, acrescentou, “as pessoas perguntavam por que eu fazia essas coisas, que não deveria fazê-las, mas quando se gosta de algo, é normal que queira fazê-lo”, acrescentou, referindo-se à paixão pela velocidade e outras modalidades esportivas compartilhada com Schumacher e vários pilotos.

Kubica, que sofreu amputação parcial do antebraço direito como consequência daquele acidente, desejou “o melhor” a Schumacher. “Cruzo os dedos por sua recuperação, para que tudo vá bem”.

O piloto polonês teve que enfrentar um longo processo de recuperação, ao término do qual retornou às competições, mas de ralis nacionais. No ano passado, ele ganhou o título mundial de ralis na categoria WRC2, e nesta temporada pretende competir na principal categoria do Mundial de Rali com um Ford.

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