O alemão Michael Schumacher completará nesta quarta-feira (29) um mês em coma induzido no Hospital Universitário de Grenoble, no leste da França, enquanto médicos especialistas dão declarações pessimistas sobre a possível recuperação do heptacampeão mundial de Fórmula 1.

“É muito pouco provável que o Schumacher que conhecíamos antes do acidente retorne”, escreveu em seu blog o ex-chefe médico da Fórmula 1, Gary Hartstein, sobre a saúde do ex-piloto, que bateu a cabeça em uma rocha no dia 29 de dezembro, quando esquiava na estação de Méribel, nos Alpes franceses.

O médico americano prepara o terreno diante de um hipotético despertar do alemão, que completou 45 anos no começo do mês, e avisa: “Deveremos considerar um triunfo da resistência humana caso Schumacher ainda seja capaz de caminhar, de se alimentar, de se vestir e conservar certos aspectos positivos de sua personalidade”, comentou.

Hartstein fundamenta sua reflexão com estatística. Segundo ele, 50% dos pacientes com um traumatismo como o de Schumacher que passam um mês em estado vegetativo despertam e sofrem “deteriorações neurológicas significativas”. Ainda de acordo com o médico, se esse período sobe para seis meses, o número cai para 20%.

“Após um ano, a recuperação do estado de consciência é muito rara”, completou.

O estado de saúde de Schumacher é estável, conforme informações de pessoas próximas ao ex-piloto divulgadas no último dia 17, dias depois que os médicos que o tratam em Grenoble disseram que o paciente sofre “lesões cranianas difusas e sérias”.

Desde a queda, o ex-piloto foi submetido a duas operações de neurocirurgia e teve retirado, sem riscos, um hematoma no hemisfério esquerdo do cérebro, que no caso de um destro, como Schumacher, é o encarregado da linguagem, da leitura e da escrita.

No entanto, as últimas informações divulgadas dão conta de um estado de saúde “crítico” e “frágil”. Os médicos o mantém em coma induzido para reduzir a pressão intracraniana e oxigenar bem o cérebro, e nada faz pensar que tentarão despertá-lo em breve.

“A cada dia que passa, diminuem as possibilidades de ver a situação melhorar”, comentou o médico Jean-Marc Orgogozo, especialista em neurologia do hospital de Bordeaux, à revista francesa Le Point.

Opinião parecida tem Philippe Decq, neurocirurgião do hospital de Beaujon, nos arredores de Paris, que considera que se transcorridas três semanas de um traumatismo craniano grave e o paciente não abre os olhos, é “um sinal de que as coisas estão muito graves”.

Enquanto o pessimismo ganha terreno entre os especialistas, Schumacher continua recebendo o apoio de seus fãs, que se manifestam por cartas ou mesmo se concentrando em frente o hospital no dia do aniversário do ex-piloto, em 3 de janeiro. Nesse domingo (26), houve uma marcha em sua homenagem no circuito de Spa-Francorchamps, na Bélgica.

O circo da Fórmula 1 também não se esquece do piloto mais vencedor de sua história. Quem lidera as manifestações de apoio é o presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Jean Todt, ex-chefe de Schumi na Ferrari.

Todt visitou o pupilo em Grenoble, onde o alemão tem a companhia do pai, Rolf (foto abaixo, à direita), da esposa, Corina, e dos dois filhos, Gina Maria, de 16 anos, e Mick, de 14, além do irmão, o também ex-piloto Ralf Schumacher (foto abaixo, à esquerda).

Schumi recebeu ainda o apoio de outras pessoas do meio da Fórmula 1, como Felipe Massa, Rubens Barrichello, Fernando Alonso, Robert Kubica, Jenson Button, Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e Alain Prost, além das equipes Ferrari e Mercedes.

Também se preocupam com o heptacampeão mundial outras lendas do esporte, como o ex-tenista Boris Becker, o ex-jogador de futebol Fabio Cannavaro, o jogador de basquete Dirk Nowitzki e a ex-ginasta Nadia Comaneci, entre vários outros.

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