Há pouco mais de 30 anos, o mundo vivia a crise do petróleo. O preço dos combustíveis estava bastante elevado devido a uma redução da produção no Oriente Médio. Essa fase teve início em 1973 e foi agravada seis anos depois. Para superar essa situação, o governo brasileiro criou em novembro de 1975 o Programa Nacional do Álcool (Pró-Álcool), que teve como objetivo substituição em larga escala dos combustíveis veiculares derivados de petróleo por álcool.

O Pró-Álcool conseguiu substituir a gasolina pelo álcool etílico e gerou quase dez milhões de veículos a gasolina a menos rodando nas ruas brasileiras, o que contribuiu para reduzir significativamente a dependência do país do petróleo importado.

Todo o etanol era produzido no Brasil e a decisão de utilizar a cana-de-açúcar foi por conta do baixo preço do açúcar no mercado internacional na época. Mas, os cientistas testaram alternativas, como a mandioca.

Entre 1975-76 foram produzidos 600 milhões de litros de álcool; já entre 1979-80 a produção chegou a 3,4 bilhões de litros. Mas, o grande salto mesmo foi entre 1986-87, com um total de 12,3 bilhões de litros do produto. O álcool tinha definitivamente caído no gosto nos brasileiros.

A substituição do combustível obrigou as montadoras de carros a modificarem os veículos produzidos no Brasil. Como exemplo, os tubos tiveram seu material substituído; o calibre do percurso de combustível teve de ser aumentado; por causa do poder calorífico menor do álcool, foi necessário instalar injeção auxiliar a gasolina para partida a frio; o carburador teve de ser feito com material anticorrosivo, assim como a bomba de combustível, que passou a ser composta de cádmio.

Só que nem tudo nessa história deu certo. A medida que o preço internacional do petróleo começou a cair, o álcool combustível passou a ser pouco vantajoso para o produtor e também para o consumidor. Outro fator complicador foi o aumento do preço do açúcar no mercado internacional, o que com que os usineiros preferissem produzir o produto a fazer o combustível.

Esse cenário causou a falta de abastecimento de forma constante nos postos. Quem tinha carro a álcool ficou sem opções no mercado. Com isso, os consumidores passaram a comprar menos carros produzidos para rodar com etanol, já que não queriam correr riscos de ficar sem opção caso o combustível faltasse no mercado. A queda na demanda fez com que as montadoras praticamente suspendessem a produção de carros movidos a álcool.

O ressurgimento do álcool como combustível aconteceu nos Estados Unidos, onde a tecnologia de carros bicombustíveis, os chamados flex, começou a ser desenvolvida no final da década de 80. Isso aconteceu por causa da crescente pressão do estado americano da Califórnia por carros menos poluentes e com isso as montadoras apostaram no etanol. No entanto, a cadeia produtiva do álcool ainda não estava, como não está atualmente, preparada para suprir a demanda. Além disso, a queda do preço do petróleo tornou o investimento no programa inviável.

A tecnologia flex já estava em testes de adaptação no Brasil desde meados da década de 90. Porém, sem uma regulamentação governamental eles não podiam ser vendidos ao público. As regras só saíram no final de 2002 e, logo no ano seguinte, a Volkswagen apresentou o primeiro carro flexível em combustível, o Gol Total-Flex, que foi rapidamente seguida pela General Motors, com o seu Chevrolet Corsa FlexPower.

A partir desse momento, as montadoras instaladas no Brasil passam a produzir carros bí-combustíveis. Atualmente, seis anos após o lançamento do primeiro modelo, os flex representam 90% de toda a produção nacional de veículos.

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