Para a alegria de todos os roqueiros de calça rasgada do país, os veteranos do Mudhoney estão oficialmente a caminho do Brasil para três shows no estado de São Paulo, sendo dois deles de graça e fora da capital do estado.

Mark Arm, Steve Turner, Guy Maddison e Dan Peters chegam por aqui na sexta (21), quando se apresentam na Clash Club em São Paulo, antes de partir para dois shows na Virada Cultural do interior, tocando de graça em Mogi das Cruzes e São José do Rio Preto.

Faltando pouco para a banda levantar voo, falamos com o guitarrista Steve Turner pelo telefone sobre turnê brasileira, o show especial que a banda fará no festival All Tomorrow Parties (interpretando faixas de seu primeiro ano de carreira) e até sobre o filme a respeito da vida de Kurt Cobain.

Virgula Música: E ai Steve? Tudo certo?
Steve Turner: Opa! tudo muito bem sim cara! E com você?

Quando é que vocês vão chegar ao Brasil?
Bem, nós vamos partir amanhã pela manhã, então acredito que estejamos aí umas 15 ou 16 horas depois disso. Estamos animados com a volta ao Brasil.

Você tem problemas com voos longos antes de tocar?
A gente normalmente chega no lugar do show um dia antes, acho que é o caso desta vez, pra podermos pegar umas horas de sono e nos acostumarmos com o fato de que estamos em outro lugar. Mas sabe como é, já estamos bem acostumados com isso. As viagens são mais duras com uns de nós do que com outros (risos).

Melhor assim. Ao menos sobra um tempo pra vocês tomarem uma ou duas caipirinhas antes do show…
Claro! Bem… Ao menos para alguns de nós (mais risos)

Animado com a possibilidade de fazer dois shows grátis por aqui?
Muito animado. Estou feliz em também poder conhecer um pouco do interior do Brasil, já que isso é uma coisa que não temos muitas oportunidades de fazer. Normalmente só chegamos de avião às cidades principais dos países para onde vamos. Isso é mais um atrativo para nós.

Mas essa não é exatamente a primeira vez, certo? Em 2008 vocês fizeram um show de graça na cidade de São Carlos, não foi?
Sim, é verdade. Fizemos alguns shows por aí há cerca de um ano, um ano e meio. É que já fomos algumas vezes para aí, não? Uma vez com o Pearl Jam até… Acho que fomos a primeira vez em 2001 ainda. Já passamos um bom tempo por aí.

Vocês gostam do público dos shows daqui?
Claro, é incrível! As pessoas são muito animadas e divertidas. Parece que os fãs de rock do Brasil sabem de seu histórico todo, sabe como é? Quando abrimos para o Pearl Jam, as pessoas levaram até cartazes das bandas que eu e o Mark (Arm, vocalista da banda) tivemos antes de fundar o Mudhoney… Tinha até uma do Green River! (muitos risos). Isso é uma coisa que você não espera ver por aí.

Só pra seguir no assunto dos shows, vocês vão tocar no festival All Tomorrow Parties (ATP) de Nova York esse ano…
Isso, exatamente. Vamos tocar com os Stooges, o Sleep e o The Scientists

Você pode contar um pouco sobre o show especial do Superfuzz Bigmuff?
Bom, nós já fizemos isso algumas vezes. Já tocamos o disco na íntegra em Londres há uns dois anos. Antes nós também tocamos o disco com o Melvins em Los Angeles, imagino eu que há uns três anos. E você sabe, é um pouco daquele lance todo de nostalgia que está por aí. Vamos fazer um show baseado no nosso primeiro ano de carreira, mais ou menos. É o sete polegadas de Touch Me I’m Sick, algumas faixas de compactos e coletâneas, além do EP Superfuzz Bigmuff.

Falando no EP, dizem que a vendagem desse disco foi bem ruim, mesmo para os padrões da Sub Pop na época. Por que você acha que com o tempo as pessoas passaram a cultuar um disco que vendeu tão mal 22 anos atrás?
Eu realmente não sei. Nós meio que construímos nossa reputação com esse EP. Consigo entender perfeitamente as pessoas que gostam mais das gravações velhas das bandas, mesmo porque isso acontece comigo muitas vezes (risos). Eu tô rindo mais é sério! (mais risos). Pra mim, é algo que pode sempre ser esperado. Mas eu também gosto muito do nosso último disco. Estou completamente satisfeito com ele. Mais do que com a maioria (gargalhadas). Mas esse sou eu. Com certeza o Keith Richards também diz isso sobre o último disco dos Stones. Mas eu acho uma porcaria (rindo muito).

E você gosta desses shows de discos específicos? Como por exemplo, sei lá, os Pixies tocando o Dolittle?
Não sei, acho que depende. Alguns eu iria ver e outros não despertariam nada do meu interesse. Mas também acho que é meio óbvio demais, não? Eu tenho sentimentos contraditórios sobre isso. Com certeza não gostaria de ter que fazer isso o tempo todo.

Sim, deve ser um pouco entediante, certo?
Não é nem isso. Para mim, é só estranho demais. Nós continuamos sendo uma banda que faz suas coisas. Eu acho que é um pouco estranho, mas não me incomoda nem um pouco fazer shows assim de vez em quando. Só fico feliz com o fato de que podemos fazer coisas diferentes.

Mudando de assunto, você criou um dos riffs mais famosos de todos os tempos na música Touch Me I’m Sick. Você se sente um guitar hero quando pensa nisso?
Meu deus, de jeito nenhum (gargalhadas). Na verdade eu acho que estou muito melhor na guitarra hoje do que naquele tempo. Mas o que eu gosto mesmo sobre guitarristas não tem nada a ver com técnica nem com talento, entende? Não que eu veja falta de técnica como insulto. Mas veja o Ted Falconi, do Flipper, por exemplo. Ele é um daqueles guitarristas que, mesmo que você veja ao vivo, você não consegue nem ter uma vaga ideia do que ele está fazendo. Eu não consigo ver como a guitarra está afinada e não tenho noção do que ele está fazendo. E ele também não sabe ao certo, mas tem muito instinto e uma grande ideia do que fazer com a guitarra, tudo de sua própria maneira.

Foi exatamente assim que eu me senti quando vi o Sonic Youth ao vivo pela primeira vez…
Somos dois (risos). Mas é isso, mais um exemplo perfeito. Eu sei que o Lee (Ranaldo) e o Thurston (Moore) usam todas aquelas afinações malucas, mas o que me chama mesmo a atenção é o instinto deles com as guitarras.

Falando em Sonic Youth, você gosta da versão deles para Touch Me I’m Sick?
Claro! Foi muito divertido gravar aquele split. O engraçado é que eles ficaram totalmente satisfeitos com o resultado naquele tempo. Eles não tiveram muito tempo para ensaiar nem nada, mas mesmo assim mandaram muito melhor do que nós gravando Halloween (gargalhadas)

Essa música foi eleita para várias listas que ficaram famosas na mídia especializada. Foi uma dos “100 maiores singles de todos os tempos” segundo o NME e uma das “666 músicas que você precisa ter” da Kerrrang! Você gosta desse tipo de lista? Acha que agrega valor à música?
Realmente não sei. Acho que é natural que as pessoas façam listas de suas coisas preferidas, mas sei que isso é o tipo de coisa que não me afeta nem um pouco. Acho que não chega a fazer diferença para a banda em si, mas é bom saber que as pessoas gostam tanto dessa música.

Pra finalizar, gostaria de perguntar sobre esse filme a respeito da vida de Kurt Cobain, sobre o qual todo mundo está falando por aqui. Pessoas ligadas ao Nirvana e a Courtney Love estão toda hora falando sobre isso…
Hmmm, na verdade eu não ouvi falar nada sobre isso. É um filme de Hollywood?

Sim, a própria Courtney esteve na mídia falando disso, sobre gravar uma cinebiografia de Kurt Cobain. Ela até sugeriu que Scarlett Johansson fizesse o papel da esposa no filme…
(interrompendo) Tá brincando! (muitos risos)

Quem seria o melhor ator para te interpretar nesse filme?
Hmmmm, essa é boa… Eu não sei mesmo. Teria que ser alguém bem magrelo. E com óculos.

Daniel Radcliffe, talvez?
Que sacanagem! (gargalhadas) Eu não sei, mas acho que o Tom Cruise daria conta do recado…

Guitarrista do Mudhoney fala sobre Virada Cultural e filme de Kurt Cobain

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