O estilista Tom Ford estreou como diretor com A Single Man, protagonizado por Colin Firth, que teve hoje uma grande recepção no Festival de Cinema de Veneza, no qual compete pela seção oficial da mostra e, além disso, levou o Leão Gay 2009 de melhor filme de temática homossexual.

 

O prêmio concedido pela associação cultural Cinemarte, à margem do júri oficial do Festival de Veneza, foi para A Single Man, segundo a entidade, por causa da “perfeição formal” da obra, que conta a história de um professor de Los Angeles que perde o namorado em um acidente de trânsito.

 

A escolha do ganhador foi também “porque nos lembra a urgência de leis que garantam a igualdade de direitos para que os homossexuais possam viver seus amores à luz do dia”. A Single Man, baseado em um livro de Christopher Isherwood, conta a história de um professor (Colin Firth) na Califórnia de 1962 que perde seu companheiro (Matthew Goode) em um acidente. Seu luto e seu desejo de morrer são contados em um dia de sua vida.

 

O filme foi recebido com aplausos na exibição e com grande ovação no começo da entrevista coletiva de apresentação, onde grande parte das perguntas foi sobre a temática gay e as intenções do diretor de dar voz a este grupo. No entanto, Tom Ford insistiu em que a história não é sobre ser ou não gay, mas “sobre um homem que perdeu o amor” e “sobre personagens humanos”, independentemente de sua condição sexual.

 

Por sua vez, Firth destacou o “privilégio” para ele de interpretar um papel que sabia que era “tão pessoal” para o diretor, o que fez com que também se transformasse em algo muito pessoal para ele.

 

A história se desenrola em um dia da vida de George (Firth), no momento em que paira sobre ele uma clara intenção de suicídio.

Com uma estética muito elaborada e um desenvolvimento com base em flashbacks, Ford mostra sensibilidade para tratar a dor, mas, ao mesmo tempo, mostra o excesso típico das óperas.

 

O abuso dos primeiros planos, dos movimentos de câmara e dos jogos com foco desacelera uma história já lenta por si só, na qual, sem dúvida, o melhor é a interpretação de Colin Firth. Também houve brincadeiras durante a entrevista coletiva, sobretudo da parte de Firth, que disse que o maior desafio de seu trabalho neste filme foi “ser homossexual e ter de beijar Julianne Moore”.

 

Moore, que interpreta a melhor amiga do protagonista – “uma mulher que não avança na vida e está bloqueada em casa”, nas palavras da atriz – foi a principal inspiração de Firth ao compor seu personagem.

 

Apesar de sua defesa do “amor universal” da história, tanto o protagonista quanto o diretor expressaram seu ponto de vista da situação do grupo homossexual. Firth ressaltou a “enorme ironia” de que, no momento em que estavam filmando na Califórnia, este estado aprovasse uma lei que proibia o casamento entre pessoas do mesmo sexo, algo que levou os Estados Unidos a um retrocesso de 50 anos.

 

Ford disse que “é bastante vergonhoso que, nos Estados Unidos e em muitos outros países, não exista o casamento gay ou algum tipo de união civil”, e ressaltou sua própria experiência, com um companheiro estável há 23 anos, a quem só pode visitar no hospital com uma permissão expressa assinada pelo mesmo.

Sobre sua passagem do mundo da moda para a direção de filmes, ressaltou que o cinema é a arte mais permanente que pode ser criada, “é algo que se mantém para sempre. É o projeto de design definitivo”.

 

O ex-estilista da Yves Saint Laurent e da Gucci considerou que a moda é “completamente efêmera”, com um aspecto comercial muito marcado, enquanto o cinema é “realmente uma pura expressão artística”.

 

A Single Man representou o fechamento da seção oficial do 66ª edição do Festival de Veneza, com 25 filmes à espera da divulgação amanhã de quem levará o Leão de Ouro.

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