Você pode até dizer que não, bater o pé, torcer o nariz ou o que quer que seja. Acontece que, depois da calorosa recepção do público a um especial da MTV que uniu Fresno e Chitãozinho e Xororó, uma avalanche de projetos tem aparecido com base na fusão entre o rock e a música sertaneja.

Atualmente, quem está se dando melhor nessa empreitada são os gaúchos do Hardneja Sertacore – que, curiosamente, andam sumindo da imprensa por não quererem ter seu nome ligado a essa onda- e o divertido Alison 4, capitaneado pelo cantor Alison Lima, filho de… Chitãozinho! Mas bem antes disso, em 2004, um quinteto (ou melhor, sexteto) muito bem-humorado estava pavimentando às duras penas essa estrada que está agora sendo duplicada: a Comitiva do Rock.

Liderada pelo hilário Richard Navarro (quero dizer, “Zezé Cavalera”), a banda garante ter se unido graças à aparição de uma “vaca madrinha”, que uniu de vez as facetas lado sertaneja e heavy metal de seus integrantes.”Na real, não existia pretensão nenhuma no começo. Eu batizei o projeto de Manowell, por causa do Manowar, uma das minhas bandas favoritas”, declara o músico.

O começo

Navarro está ligado ao mundo do heavy metal há muito tempo. Ele era organizador do festival Brasil Metal Union e foi um dos incentivadores da banda-zoeira Massacration, formada pelo pessoal do humorístico Hermes e Renato, da MTV. Nessa onda, ele liderou a gravação do primeiro crossover country/metal do país, uma versão impagável de Evidências, de Chitãozinho & Xororó, chamada Heavydências.

Em 2007, o “guru-vaca” (mascote, empresário e integrante da banda) uniu de vez os destinos desses metaleiros do campo e colocou a comitiva do rock para circular efetivamente pelo país do carnaval. “A Comitiva é pra quem tem a cabeça aberta, para quem quer curtir e se divertir”, explica Zezé Cavalera. “Tem gente que passa do limite do aceitável e transforma radicalismo em ignorância. Eu acredito em uma abertura no mundo do heavy metal, mas só pras pessoas que tem senso de humor.”

O cômico é sério

O humor, segundo o próprio vocalista, é o que dá a liga no som da Comitiva. Afinal, não há como não se divertir ouvindo músicas como Não Foi de Graça (versão de Dormi na Praça, de Bruno e Marrone). “Para nós, é uma satisfação imensa ser comparados aos Mamonas Assassinas, mas eles não são nossa inspiração”, explica Richard. “Acho que meu humor vem mais da minha criação. Muito Chaves e filmes do [cineasta] Jim Abrahams (de Corra que a Polícia Vem Aí).”

“A grande questão é que nosso som não é feito pros fãs de heavy metal, mas para o público em geral. Pra aquele cara que curte o som pesado, mas não vê problema em sertanejo. Aqui é o Brasil, o povo adora humor. Por isso que todo preconceito e radicalismo é burro”, detonou, para emendar em seguida: “Adoramos heavy metal e adoramos sertanejo!”.

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