Mais de cem animais silvestres já morreram desde o início das obras de construção do Trecho Sul do Rodoanel, em áreas de Mata Atlântica. Entre as vítimas estão veados catingueiros, macacos bugios, preguiças de três dedos, lagartos teiús, gambás, cobras e corujas orelhudas. Muitas destas espécies estão ameaçadas de extinção. A principal causa dos óbitos é o contato dos animais com os fios de alta tensão.

De 137 animais enviados para recuperação em parques e clínicas veterinárias, 105 não resistiram. Outros 371 foram devolvidos para a mata sem apresentar problemas, segundo dados da Dersa. Os mortos, porém, representam 21,9% dos que passaram pelas mãos dos técnicos da empresa, segundo apuração do Jornal da Tarde.

O gerente de Gestão Ambiental da empresa do governo do Estado que administra a obra, a Desenvolvimento Rodoviário SA (Dersa), Marcelo Arreguy Barbosa, descarta o crime ecológico nas obras do Rodoanel, que começaram em julho de 2007. Segundo ele, a Dersa está preparada para executar o projeto de manejo de animais silvestres.

“Os animais receberam o tratamento adequado. A natureza é a responsável pelas mortes, jamais o empreendimento”, disse Barbosa ao JT.

Dênis Abessa, professor da Unesp, acredita que manter animais silvestres em más condições caracteriza crime ambiental.

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