Ao saber que iria ao show do Backstreet Boys, tirei meus CDs do armário e passei o dia ouvindo-os, para desenferrujar. Depois de perceber que eu ainda sabia a maior parte das letras, pensei: “Estou preparada”.

O local, o estacionamento do Credicard Hall, em São Paulo, estava bem cheio, mas não lotado. Fãs gritando desesperadas, umas passaram o dia todo na fila, outras vieram de bem longe. Quando o show começou – e isso eu confesso com uma certa tristeza – o primeiro impacto que tive foi de decepção.

Quando se fala em uma boy band que fez tanto sucesso como os Backstreet Boys, logo se imagina uma super produção. Mal tinha cenário, o palco era pequeno, e eu não pude evitar a tão ouvida frase dos últimos tempos: “Deve ser a crise”. Passado o primeiro choque, reparei que as dancinhas continuam as mesmas e que Brian, Nick, A.J. e Howie D continuam muito sincronizados.

Mostraram que mesmo passado um certo tempo, ainda têm energia de sobra, sem contar que não consegui notar nenhum playback evidente, foi tudo no gogó.

O show começa com um ringue e os quatro vestidos como lutadores de boxe, alternando golpes e passos de dança. Com a maior facilidade, passam para o papel de apaixonados que sofrem de solidão na mesa de um bar, entre garrafas e poker. Howie D encarna o amante latino em sua apresentação solo, que é facilmente comparada a Sidney Magal. A.J. faz uma performance mais roqueira. (Pausa para minha segunda triste confissão: ele está gordo e careca). O solo de Nick foi tão Backstreet Boys que não consigo defini-lo como outra coisa. Brian cantou uma música de seu CD solo com direito a violão e clipe no telão.

Ao todo, o saldo é positivo. Eles não perderam a energia, se comunicaram com o público, mostraram que cantam de verdade e que a coreografia foi bem ensaiada. Mas o melhor de tudo isso, foi que quando eu dei por mim, estava cantando As Long As You Love Me com a mesma emoção de uns anos atrás.

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