Carlinhos Brown se “reconectou” com suas origens da Bahia em uma festa de ritmos em que dividiu o palco hoje com crianças e jovens de um bairro carente da cidade colombiana de Medellín.

O cantor e percussionista foi acompanhado de rappers e membros de conjuntos musicais da Moravia, um assentamento erguido sobre um lixão que teve os mais altos índices de violência associados à guerra contra o narcotráfico que a Colômbia enfrenta há mais de quatro décadas.

“Estou aqui como um cidadão, um ser da paz pelas pessoas”, disse ao ministrar uma curta oficina na qual mostrou a jovens como construir instrumentos musicais a partir do lixo reciclável.

Carlinhos Brown lembrou em Medellín a música e a cultura da Bahia e os momentos difíceis que viveu em sua juventude, antes de conquistar reconhecimento por conta de seu trabalho musical.

O músico continua ligado ao Candeal, bairro pobre de Salvador onde cresceu, vendeu sorvetes e agora lidera projetos ligados à música, à arte e ao compromisso social, como a escola Pracatum. “Continuemos assim, porque após tantas coisas ruins no mundo, como guerras, desastres e violência, há um caminho e esse caminho está se abrindo cada vez mais: é o caminho do amor”, disse às dezenas de jovens que aplaudiram a fusão de ritmos colombianos e brasileiros mostrados por Brown e um jovem rapper de Medellín.

O músico baiano foi o convidado especial encarregado de encerrar a 50ª Assembleia de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e, apesar de assumir que não sabe nada de economia, aceitou participar com um único objetivo: “sensibilizar essas pessoas que são parte da elite”, disse o cantor, que pretende aplicar as experiências apreendidas da transformação de Medellín, uma das cidades mais violentas do mundo, nas favelas de Candeal.

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