Facebook, MySpace, Digg, Twitter… Todos sabem o que são esses sites. São páginas muito famosas, populares, que valem milhões de dólares. Mas e o Skoob, você sabe o que é? Já entrou nos blogs do Interney? Indicou alguma música no iJigg? Comprou alguma música pelo FunStation?


 


São páginas, que podem ser redes sociais, coletivos de blogs, lojas virtuais ou até mesmo totens de venda de downloads, criadas por brasileiros. Brasileiros empreendedores em um mercado que ainda é considerado novo no Brasil. O Virgula conversou com algum desses desbravadores, que mesmo no meio de um mercado cheio de peixões gringos, conseguiram se destacar. Eles falam sobre o mercado brasileiro desse setor, dão dicas para quem quer se aventurar nessa área e apontam alguns ingredientes da fórmula do sucesso.


 


Nome: Lindenberg Moreira.
Idade: 32 anos.
Profissão: analista de Internet
Criação: a rede social para amantes de livros Skoob


 


Como você entrou nesse mercado?
Fui abduzido. O Skoob foi criado para suprir a necessidade de uma turma de amigos que queria estar sempre informada sobre as leituras de cada um. A aceitação da idéia pelos internautas foi tão boa, que o desenvolvimento do Skoob passou rapidamente de hobby para algo profissional.


 


Criar um plano de negócios para um serviço desses no Brasil é algo complicado, devido a “pouca tradição” que o Brasil no mercado?
Criar um é sempre complicado, seja para web ou não. Para empreendimentos online, acredito que o maior obstáculo seja fazer um plano de negócio que garanta a rentabilidade do produto. Se fugir do modelo clássico, que utiliza publicidade como principal fonte de renda, as coisas ficarão complicadas. O produto terá que possuir um diferencial muito bom para que seja aceito, pois na internet sempre haverá uma alternativa gratuita. 


 


Quais as dicas que você dá para quem deseja criar algo nessa área, e como você analisa o mercado brasileiro dentro desse setor?
O brasileiro é apaixonado por internet, este mercado por aqui está em plena expansão. Ainda existe muita coisa para ser feita ou melhorada na web, basta agora que nossos empreendedores online saibam aproveitar o momento. Mas deixo seis dicas: monte um bom plano de negócio; procure mercados em expansão e com diferencial; estude a concorrência; tenha paixão pelo que faz e não tenha medo de mudar. A maioria das startups só fizeram sucesso com o plano B.


 


Nome: Rodolfo Sikora de Melo
Idade: 29 anos
Profissão: Universitário de direito
Criação: iJigg, uma rede social musical, e do microblog de áudio Gengibre


 


Como você entrou para esse mercado?
Em 2000, após trabalhar numa equipe que foi toda demitida na época da bolha, pela falta de perspectivas e de grana resolvi me aventurar no mercado internacional. Me cadastrei num site chamado Rent a Coder e comecei a fazer trabalhos. Lá conheci o Zaid, o indiano-americano que virou meu sócio no iJigg.com. Em duas semanas o iJigg saiu no Techcrunch, na primeira página do Digg e isto foi suficiente para a Amazon e gravadoras entrarem em contato conosco.
 
Como é criar um serviço como esse num país com mercado ainda pouco tradicional?
É algo complexo por natureza. Fazer coisas na internet é barato e rápido. Com três pessoas motivadas e com uma ideia boa você não precisa mais do que 2 meses para fazer algo interessante. O problema não é necessariamente a tradição, é que tudo é mais complicado. Eu moro em Fortaleza, a 1km da maior universidade particular do Nordeste, e minha única forma de acesso é internet via rádio. As operadoras de telefonia burocratizam tudo e não querem nem ouvir falar de VoIP. Os impostos brasileiros são desencorajadores, montar uma empresa e crescer como uma empresa significa ter que pagar uma cacetada de impostos. Nos EUA, consegui uma linha VoIP preenchendo 3 formulários na web, de graça.


 


Quais as dicas que você para quem deseja criar algo nessa área e como você analisa o mercado brasileiro dentro desse setor?
Temos um mercado imenso em termos de possibilidades. Como a maior parte da população tem que se virar com R$465,00 não sobra espaço para gastar com “futilidades”. No entanto, estas mesmas pessoas não deixam de ter seus celulares pré-pagos. Se tem um mercado que eu apostaria é o mercado de telecomunicações. Não em seu sentido puro porque as operadoras sabem que um dia a venda de novas linhas vai estagnar. O desafio é agregar valor, aumentar os serviços das linhas existentes. E nesta linha de raciocínio, se conseguir associar a tecnologia móvel com internet e sociabilização você está fazendo algo com boas possibilidades na origem. Para quem quer começar eu sugiro determinação, uma boa idéia, custos enxutos e bons contatos.


 


Nome:Edney Souza
Idade: 33 anos
Profissão: trabalha no mercado de informática desde 1990.
Criação: a rede profissional de blogs Interney, ao lado de Alexandre Inagaki, Ian Black e André Oliveira


 


Como você se envolveu com internet?
Comercialmente a internet no Brasil começou a ser mais utilizada a partir de 1995. Antes disso geralmente quem acessava o fazia em universidades. Eu trabalho com informática desde 1990. Fui procurado pelo Alexandre Inagaki. Ele tinha um projeto de lançar uma rede de blogs e queria que eu lhe prestasse uma consultoria. Ele precisava de apoio na parte tecnológica da coisa e descobrir como monetizar o projeto. Nos reunimos pela primeira vez em janeiro de 2006, lançamos o portal em fevereiro de 2007, com 21 blogs.


 


Criar um plano de negócios para um serviço desses no Brasil é algo complicado, devido a “pouca tradição” que o Brasil  no mercado?
Criar qualquer plano de negócios no Brasil é complicado em função da legislação tributária. Nenhuma empresa minha (InterNey Informática, Blog Content, Polvora) pode entrar no Simples. Startups têm de recolher impostos de empresas grandes. Um problema comum de todo mundo é “copiar e colar” ideias de fora. Nossa tributação é diferente, os costumes do povo brasileiro são diferentes, o uso da rede e a penetração é diferente, tem que adaptar pro cenário social e econômico do nosso País. Saber que era um bom negócio foi fácil, adaptar é que demorou mais de um ano.


 


Quais as dicas que você para quem deseja criar algo nessa área e como você analisa o mercado brasileiro dentro desse setor?
Se você montar algo que convença seu pai, empolgue seu filho e não dependa de investimento de terceiros as chances de dar certo são enormes. Construa algo que ajude o mercado a crescer, se você canibalizar o mercado não haverá o que explorar no futuro.


 


Nome: Manoel Lemos
Idade: 34 anos. 
Profissão: Engenheiro da computação
Criação: O indexador de blogs BlogBlogs e a rede de perguntas e respostas Brasigo


 


Como você entrou nesse mercado?
Sou engenheiro da computação e iniciei meus contatos com a internet antes de sua introdução comercial no Brasil. Mas foi quando entrei no curso de Engenharia da Computação na Unicamp, em 1993, que tive meu primeiro contato com a web. Foi exatamente quando a web nasceu, um professor me apresentou ao Mosaic, o primeiro browser. Em 1999 montei meu primeiro Startup, o PageMe, um portal focado no envio de mensagens para celulares (sim, mobile, lá no comecinho), mas com o estouro da bolha o projeto não decolou. Depois, em 2006, já trabalhando como Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento de uma multinacional, fui apresentado a um novo framework de desenvolvimento para web chamado Ruby on Rails. Para estudá-lo montei um pequeno projeto, um indexador de blogs que foi o embrião do BlogBlogs.


 


Criar um plano de negócios para um serviço desses no Brasil é algo complicado, devido a “pouca tradição” que o Brasil no mercado?
 É algo complicado em qualquer lugar do mundo. A internet ainda não encontrou a fórmula ideal para monetizar os produtos e serviços, logo o desafio existe em qualquer iniciativa. No Brasil temos pontos positivos e negativos para este tipo de serviço: de positivo temos a familiaridade do brasileiro com estes serviços sociais; de negativo temos o tamanho do mercado e a quantidade de capital investido. Mas desafio é o combustível do empreendedor, então bola pra frente!


 


Quais as dicas que você dá para quem deseja criar algo nessa área, e como você analisa o mercado brasileiro dentro desse setor?
A primeira dica é não perder o foco do que você quer fazer. Mesmo que as coisas não andem na velocidade que você espera, um pouco de insistência é importante para quem está empreendendo. A outra coisa é manter sua iniciativa o mais leve possível do ponto de vista operacional. Acima de qualquer coisa, deve estar a preocupação em entregar valor para seu usuário. Outra dica é ficar de olho no que está acontecendo no mercado e, sem perder o foco de seu objetivo maior, usar janelas de oportunidade que aparecem a todos os momentos na Internet.


 


Nome: Bruno Brau e Armando Perico.
Idade: 33 e 22 anos.
Profissão: técnicos de informática
Criação: FunStation, posto de abastecimento de conteúdo digital



Como vocês entraram nesse mercado?
O Armando sempre desenvolveu aplicações WEB. Trabalhávamos juntos tentando criar novas ferramentas que atraíssem os internautas, além dele também me ajudar no site da minha banda, o ROTOR (Bruno também é músico).  Nesta época, como ainda não havia surgido o MySpace,  pensamos em desenvolver uma plataforma que integrasse todo o conteúdo dos artistas para disponibilização, inclusive transmissões ao vivo de shows e ensaios, mas
esbarramos principalmente na limitacão da banda de conexão existente no Brasil. Percebemos que havia um nicho enorme a ser explorado, e começamos a criar uma plataforma que levasse o conceito da internet para o dia a dia das pessoas. Esse foi o primeiro conceito da FunStation. A partir disso desenvolvemos o primeiro protótipo, que foi apresentado pelo Armando como um trabalho de curso na Universidade de Lugano, na Suíça, onde ele é estudante.


 


Como vocês avaliam o mercado nacional pra quem quer trabalhar com web?
Avaliamos como um mercado positivo, pois existe mão de obra competente, com bons profissionais, a um custo muito mais baixo do que em outros países. Atualmente a mão de obra nacional se destaca no cenário mundial tanto em produção quanto na qualidade de produtos online.  Além disso, hoje em dia a web possibilita que qualquer pessoa, independente de onde ela esteja, tenha fácil acesso às mais novas tecnologias do mercado, principalmente para quem está começando, sendo muito simples encontrar documentos e tutoriais sobre as novas tecnologias e tendências.


 


Quais são os planos para o futuro? Algum novo projeto em vista?
Pretendemos implantar neste ano 600 estações  FunStation no Brasil. Atualmente nossas principais redes são a FNAC e o CARREFOUR. Também temos uma experiência muito positiva em uma rede local chamada JET, em Teresina, no Piauí, onde o conteúdo independente regional se mostrou extremamente forte na plataforma. Nosso próximo foco nesse ponto será a implantação de estações  FunStation em Universidades, Aeroportos e Estacões de Metrô, e a criação de uma célula itinerante para eventos. Também estamos desenvolvendo uma interface FunStation dedicada a estações posicionadas em Universidades e Colégios, disponibilizando em um ambiente especial conteúdos relacionados às aulas, como vídeos, e-books, pdf’s, conteúdos culturais, documentários, etc.


 


Nome: Franklin Valadares.
Idade: 35 anos.
Profissão: analista de Internet
Criação: Lembreto, ferramenta para assinar ou criar canais de conteúdo pelo celular


 


Como começou seu envolvimento com internet?
Em 1998 estava estudando em San Francisco, nos EUA, e a internet estava em alta. Eu já tinha um background técnico, apesar de ser formado em Publicidade e Propaganda. Retornei ao Brasil e começando um primeiro negócio na web. Se chamava PedeTudo.com e era um sistema onde qualquer pessoa montava sua loja de delivery na web em poucos passos e não precisavam ter computador para receber os pedidos, o sistema enviava por fax. Era bem bacana, mas cedo demais para se desenvolver um serviço como aquele. Até recebemos um primeiro investimento, mas 2001 e a bolha vieram e acabamos fechando as portas por falta de um bom modelo de negócios.  A operadora em que eu trabalhava estava em processo de aquisição e decidi que era hora de tentar mais uma vez. Pedi demissão e fui atrás de uma empresa que pudesse me ajudar na construção do serviço que padronizaria e tornaria mais fácil a utilização de plataformas de empresas de telefonia celular. Era o Lembreto. Acabei encontrando um parceiro interessado, a Aorta, uma empresa de gestão de conteúdo digital para grandes marcas.


 


Como você avalia o mercado nacional pra quem quer trabalhar com web?
Acredito muito na web como interface para todos os tipos de serviço. O Brasil ainda está engatinhando na oferta de serviços de qualidade. É impressionante a quantidade de websites com serviços altamente inovadores que existem nos países desenvolvidos. Apesar de ser mais difícil empreender em nosso país, há um leque monstruoso de oportunidades por aqui. O que precisamos é juntar boas idéias, dinheiro, gestão e trabalho duro. O ambiente para os negócios, apesar da crise atual, avançou muito depois da
estabilização da economia.


 


Quais são seus planos para o futuro? Algum novo projeto em vista?
Meu plano hoje é ajudar a Aorta a desenvolver suas linhas de negócio. O Lembreto é uma idéia que eu trouxe de fora, mas também existe o PlayMe, que é uma plataforma de rádio streaming super avançada, com players na Web, iPhone, Blackberry, entre outros. O Lembreto está começando a ser visto como infraestrutura de grandes portais na internet. Nada mais fácil do que abrir uma conta em um website apenas, usar uma só interface, ao invés de ter que ir em cada uma das operadoras e aprovar seu projeto. Nosso plano é ampliar a oferta de produtos dentro do Lembreto e depois expandi-lo internacionalmente.


 


Nome: André Resende.
Idade: 22 anos.
Profissão: Estudante de ciência da computação
Criação: o novo favicon do Google


 


Qual o seu grau de envolvimento com a web? Você é estudante de ciência da computação na Unicamp. Já sabe qual área vai seguir?
Sou um dependente da internet desde criança, desde os tempos de IRC, Napster e Netscape. Hoje trabalho e vivo boa parte da minha vida online, como é a realidade de muitos internautas brasileiros. Após terminar meu curso devo continuar na área de desenvolvimento web.


 


Como você ficou sabendo que seu favicon havia sido escolhido pelo Google?
Recebi uma ligação do Google me informando que haviam gostado do Favicon que eu enviei e que iam se basear nele. Fiquei surpreso e muito feliz por saber que dentre tantas sugestões a minha havia se destacado. Não cheguei a ver o Favicon antes do post no blog oficial do Google. Mas haviam dito que em algumas horas seria publicado o post, então fiquei esperando.


 


Como você avalia o mercado brasileiro pra quem quer trabalhar com web e tecnologia?
Mesmo com a crise, o mercado para quem quer trabalhar com web e
tecnologia continua aquecido. Confirmo isso pela quantidade de ofertas de oportunidades que chegam aos alunos do instituto onde estudo (Instituto de Computação da Unicamp).


 


Quais seus planos para o futuro? Pretende criar outros favicons?
Eu não tenho a pretensão de ser designer de favicons, embora eu adore a área de design gráfico. Planejo para meu futuro me tornar um empreendedor. Sempre fui fã de empreendedorismo, de não ficar atrelado a um emprego e fazer acontecer, principalmente quando o trabalho lida com inovação, como é naturalmente a web.


 




 

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