Dia 14 de março é o Dia Nacional da Poesia. A data é uma homenagem a um grande poeta brasileiro, (Frederico de) Castro Alves, que nasceu no dia 14/3/1847. Em homenagem ao Dia da Poesia, o Virgula escolheu 10 nomes de bons poetas (5 clássicos e 5 atuais) da língua portuguesa – para quem gosta de poesia, ou para quem quer começar a conhecer. Confira! 

Poetas clássicos 

Manuel Bandeira (1886-1968)

Provavelmente o maior expoente literário do Modernismo brasileiro. Sempre teve uma saúde muito frágil, por causa da tuberculose. Assim como Carlos Drummond, usa o humor e a linguagem coloquial em sua poesia, para falar sobre o cotidiano. Apenas em 1937 é que Bandeira começou a ganhar dinheiro com seus livros, apesar de sempre ter escrito muito. São 17 livros lançados em vida e um póstumo. Estrela da Vida Inteira é uma coletânea lançada em 1966, em homenagem aos 80 anos do autor. 

Fernando Pessoa (1888-1935)

Poeta português, nascido em Lisboa, é considerado um dos maiores poetas da nossa língua. Durante a adolescência, morou na África do Sul. Por isso, dominava também a língua inglesa. Criou vários heterônimos, que também escreviam poesia. Os mais importantes são Álvaro de Campos (engenheiro revoltado, moderno, radical), Ricardo Reis (médico monárquico, estóico, ressentido e sofredor), e Alberto Caeiro (camponês, pregava uma “não-filosofia”, e se irritava profundamente com a metafísica).  

Cecília Meireles (1901-1964)

Cecília viveu na época do Modernismo, mas em sua poesia, forte e lírica, encontramos traços simbolistas, classicistas, parnasianos, românticos… Cecília não tem época: ela é atemporal. Entre 1925 e 1939, sua poesia ficou em suspenso, enquanto a autora se dedicava à carreira docente. Em 1939, porém, lança um de seus livros mais pungentes: Viagem, premiado naquele ano pela ABL. 

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

Um dos poetas brasileiros mais influentes do seu tempo, sem dúvida. Publicou seu primeiro livro, Alguma Poesia, em 1930, e somou mais de 50 títulos lançados ao longo da vida. Sua poesia era rigorosa, obsessiva, pintada com matizes políticos e sociais e também, por vezes, satírica. 

Vinicius de Moraes (1913-1980)

Vinicius é um dos mais populares poetas brasileiros, até hoje. Viajava entre poesia e música com uma fluidez que só grandes poetas (Chico Buarque, Tom Jobim) conseguem fazer. Lírico, arrebatado, sentimental e muito romântico, leva ao pé da letra o “sofrer por amor”, em sua poesia e em sua vida também: foi um eterno apaixonado, sempre acompanhado de uma bela mulher.

Poetas atuais 

Paulo Leminski (1944-1989)

Filho de pai polonês e mãe negra, Paulo sempre foi uma pessoa culta e genial. Seus poemas são breves, quase haicais, cheios de trocadilhos e brincadeiras. Ler Leminski é uma experiência incrível, ao se perceber que um poema divertido pode estar impregnado de poesia. Leminski também foi letrista, compondo músicas com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Moraes Moreira, José Miguel Wisnik e Arnaldo Antunes, entre outros. 

Hilda Hilst (1930-2004)

Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão é um livro que deveria ser obrigatório nas estantes de quem diz gostar de poesia. Dizem que o livro tem este nome por causa de Júlio de Mesquita Neto (mesmas iniciais do título), de O Estado de São Paulo, com quem Hilda teria tido um relacionamento amoroso. Muita gente se surpreende ao ler a veia lírica de Hilda, porque ela é muito mais conhecida por sua linguagem erótica na prosa. Mas por baixo do erotismo existe uma poeta lírica, doce, romântica – e genial. 

Olga Sawary (1933-)

Poeta, contista, romancista, crítica, tradutora e ensaísta, é uma das maiores poetas vivas de língua portuguesa. Seus poemas são curtos, carnais, fortes; Olga tem verdadeiro domínio das palavras e joga com elas o tempo todo, de forma exata. Vale a pena ler Repertório Selvagem – Obra Reunida, uma coletânea de 12 livros de poesia. 

Adélia Prado (1935-) 

Ela é intelectual e é mãe; ela é esposa e é dona-de-casa. Sua literatura equilibrada revitalizou a figura do feminino na poesia.  Reuniu o feminismo ao feminino, disseram alguns. Não existem conflitos com o masculino em sua poesia, é tudo harmonioso, leve, lírico. 

Fabrício Carpinejar (1972-)

Seu primeiro livro foi publicado em 1998, e se chama As Solas do Sol. Depois dele vieram mais 13. Nada mau para um escritor de apenas 36 anos de idade. Sua poesia é fluente e verborrágica. Jovem e superpremiado, Fabrício é sem dúvida o mais brilhante da nova geração dos poetas brasileiros.

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