Os irmãos Erwin e Melvin Urias, bisnetos do criador do Globo da Morte e filhos de uma brasileira e um argentino, são um exemplo de uma mudança que começa a se consolidar no mundo circense: a contribuição cada vez maior de profissionais latinos ao “maior espetáculo da Terra”.

Estrelas do Ringling Bros. Barnum & Bailey, que escolheu Coney Island, em Nova York, para faturar na rentável temporada de verão no hemisfério norte, Erwin e Melvin, ao lado do mexicano Ramón Vázquez, engrossam o time de latinos nos circos internacionais.

Os Urias, que se apresentam no Globo da Morte a bordo de motocicletas personalizadas de 100 cilindradas, chegam a atingir 96 km/h quando dão voltas numa esfera de aço de apenas cinco metros de diâmetro.

Erwin e Melvin, que nasceram nos Estados Unidos, são a quarta geração de uma família de artistas circenses. “Nosso bisavô foi o primeiro a fabricar o Globo da Morte, que já tem quase cem anos”, contam. Além de terem levado suas respectivas mulheres, Olga e Fiona, para esse mundo, eles já preparam os filhos para o picadeiro.

“O circo é uma extensão da família e tentamos ajudar uns aos outros para que o espetáculo seja o melhor”, diz Erwin, que, como o irmão, nasceu no Ringling e desde os 12 anos começou a fazer o perigoso número.

Enquanto palhaços, mágicos e outros artistas descontraem o público, os irmãos Urias ficam encarregados de elevar a tensão durante o espetáculo, uma outra forma que o circo encontra de cativar a plateia e impressionar as crianças.

“Ainda temos medo e isso é o que nos mantém alertas, já que você nunca deve ter total confiança em seu número, porque sempre há algo que pode dar errado”, ressalta Melvin.

Ramón Vázquez também é prova do crescente espaço dado aos latinos no mundo do circo, já que, todas as noites em que há espetáculo, fecha as apresentações do Ringling.

“O México era famoso pelos trapezistas, e a Colômbia, pelos equilibristas, mas agora o circo se generalizou”, afirma o domador, que se apresenta ao lado de elefantes asiáticos.

Vázquez lida com paquidermes há três décadas e meia. Ele começou no circo Atayde, em seu país. Depois, foi para a África do Sul e o Sri Lanka, com o objetivo de estudar os elefantes em seu habitat natural. No Ringlin, que a cada ano se apresenta para 12 milhões de espectadores, ele trabalha desde 2006.

Apesar das polêmicas cenas que levaram as associações de defesa dos animais a se posicionar contra as práticas do maior circo dos EUA, Vázquez diz que agora é comum o uso da “‘psicologia animal'”. “Criou-se uma consciência. Antes, pensava-se que o animal tinha que ser dominado com golpes”.

Sobre a convivência com as três elefoas que o acompanham no picadeiro, ele revela: “Você tem que ficar em contato com os elefantes 24 horas por dia. Passar a ser parte do grupo deles. Você tem que dar abrigo, comida e água. Daí começa a ser o líder da manada”.

Ele conta ainda que o domador é que se adapta aos animais, não o contrário. “Eu os observava brincando. Os elefantes brincam agarrando o rabo das mães, montam uns nos outros, se jogam no chão e levantam”. É este ritual que Vázquez repete quando se apresenta com suas colegas de trabalho.

“Para elas, é uma brincadeira pela qual ainda são recompensadas”, afirma.

Com uma equipe de 130 pessoas, na qual os irmãos Urias e Vázquez são vistos como artistas de destaque, o Ringlin deixará o continente americano em outubro, tendo como destino a Europa.


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Filhos de brasileira evidenciam mudanças em circos internacionais