O austríaco Josef Fritzl, acusado de trancar em um porão e violentar a filha durante 24 anos, tem recebido apoio psiquiátrico para evitar com que ele cometa um suicídio. “Colocamos à disposição de Josef F. um psiquiatra que o está acompanhando desde semanas antes do julgamento”, ressaltou Hubert Günsthofer, um dos responsáveis pelo centro penitenciário em Sankt Pölte, onde o acusado está detido.

“Durante o processo, o psiquiatra o acompanha e está à sua disposição durante os recessos e no final do dia”, acrescentou. “Esta é uma medida empregada para prevenir o suicídio”.

Franz Cutka, porta-voz da Audiência Provincial de Sankt Pölten, onde ocorrem as audiências do processo, disse que o especialista responsável pelos exames psicológicos de Fritzl deve ser ouvido na quarta-feira (18/03). Cutka afirmou que, durante o julgamento, Fritzl seguirá na cadeia e que a corte é quem decidirá onde o réu vai cumprir a sentença ou se será internado em uma “instituição psiquiátrica”.

A responsável pelo relatório pericial sobre a personalidade do acusado é a psiquiatra Adelheid Kastner. Ao longo de 170 páginas, Adelheid afirmou que, sob uma superfície banal, esconde-se, nas palavras do próprio acusado, “uma veia maligna”.

O documento contém o testemunho do réu, que chega a dizer sobre si mesmo que, “para alguém que nasceu para o estupro”, se conteve por “muito tempo”. A autora da perícia afirma que existe o risco de que, no futuro, Fritzl “cometa atos com graves consequências”.

Mesmo assim, o relatório descarta que ele sofra de algum tipo de doença mental e estima que, no passado, teve consciência de seus atos.

O exame psiquiátrico realizado revela uma “alteração das preferências sexuais”, um enorme narcisismo e uma “incapacidade emocional” que o impede de sentir empatia com o sofrimento das vítimas.

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