A ONU advertiu nesta quarta-feira (25/03) que a
tuberculose, apesar de ter cura, mata 1,75 milhão de
pessoas anualmente e pode se propagar ainda mais se, em virtude da crise,
forem reduzidos os fundos para pesquisa.

“Não aceitamos que, em nome da crise, uma pessoa seja obrigada a
escolher entre pagar pelo tratamento e dar de comer a seus filhos”,
afirmou hoje o secretário-geral da ONU para a aids, Michel Sidibé,
num fórum mundial que acontece no Rio de Janeiro e que coincide com
o Dia Internacional contra a Tuberculose.

Este ano, calcula-se que US$ 3 bilhões serão destinados ao
combate da doença, que infecta 9,27 milhões de pessoas a cada ano.

De acordo com a ONU, 87% desse dinheiro vem dos Governos de 94
países, em sua maioria europeus; 9%, do Banco Mundial (BM), e o
restante, de doadores privados.

Ainda segundo a organização, seriam necessários mais US$ 1,6
bilhão para, até 2015, reduzir à metade as mortes causadas pela
tuberculose, meta que faz parte de um dos Objetivos do Milênio.

“Com este panorama, achamos que, em 2010, a diferença entre o que
vai ser investido e o que se precisa investir crescerá para US$ 4
bilhões”, disse o diretor do Fundo Mundial contra a Aids, a
Tuberculose e a Malária, Michel Kazatchkine, em referência às três
doenças que mais matam nos países pobres.

A estreita relação entre a aids e a tuberculose é uma das maiores
preocupações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que hoje revelou
que 25% dos mortos por tuberculose, quase meio milhão ao ano,
estavam infectados com o vírus HIV, o dobro do que se pensava até
agora.

“A integração dos tratamentos contra a aids e a tuberculose é o
melhor modo de curar ambas as doenças e de restaurar a dignidade das
pessoas”, defendeu Sidibé.

Além desta mortal combinação de doenças, a OMS constatou que a
queda na incidência da tuberculose é “extremamente lenta”, de 1% ao
ano.

“A este ritmo, só a erradicaremos em vários milênios. Temos que
acelerar o combate usando todo nosso armamento e apostando na
inovação”, destacou o diretor do departamento de tuberculose da OMS,
Mario Raviglione.

No entanto, tanto a América Latina como a Europa são regiões que
caminham bem para o alcance das metas da OMS. No outro extremo,
porém, estão a África, as antigas repúblicas soviéticas e o Sudeste
Asiático.

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